Johanesburgo, 2 fev (EFE).- O ex-presidente sul-africano Frederick de Klerk afirmou hoje que o anúncio do fim do regime segregacionista do apartheid, feito há 20 anos no Parlamento branco sul-africano na Cidade do Cabo, mudou a África do Sul para sempre.

Há exatamente duas décadas, em discurso no Parlamento, De Klerk anunciou a legalização dos partidos contrários ao apartheid, entre eles o agora governante Congresso Nacional Africano (CNA), e a libertação dos presos políticos - Nelson Mandela era um deles.

No único ato de destaque realizado hoje na África do Sul para comemorar o 20º aniversário desse anúncio, De Klerk destacou que seu anúncio "evitou uma catástrofe" no momento em que a África do Sul estava à beira de uma guerra civil, com uma situação econômica desesperadora e submetida a fortes sanções internacionais.

"Os nove dias entre meu discurso e a libertação de Nelson Mandela, em 11 de fevereiro, mudaram a África do Sul para sempre", disse hoje De Klerk.

O ex-presidente sul-africano recebeu em 1993 o Prêmio Nobel da Paz junto com Mandela, que um ano depois se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul à frente do CNA.

Hoje, De Klerk, então líder do Partido Nacional - o que sustentou o apartheid no país - admitiu hoje que o fim daquele sistema segregacionista chegou quando ambas as partes admitiram que uma vitória militar definitiva sobre a outra era impossível, o que levou a um acordo.

No mesmo ato, a atual líder da oposição ao Governo, Helen Zille, da Aliança Democrática (DA), disse que o CNA, no poder desde 1995, perdeu a visão de Mandela, que entendeu que a Constituição dá a todos o direito à dignidade.

Governadora da província do Cabo Ocidental, a única não controlada pelo CNA, Zille acusou o atual Governo de intrometer-se em todas as instituições.

Segundo a líder opositora, se deve "limitar o poder para evitar os erros do passado" e disse que os aliados do atual presidente, Jacob Zuma, dotam a Constituição de instrumentos para conseguir o poder absoluto. EFE cho/bba

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