Para consultora, menos é mais quando se fala em guarda-roupa

Para consultora, menos é mais quando se fala em guarda-roupa Por Cecilia Nascimento São Paulo, 11 (AE) - A publicitária paulista Caroline Rayel, de 27 anos, especializou-se em moda e, há três anos, montou sua butique multimarcas no Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo, com o objetivo inicial de vender roupas e acessórios, ao lado das vendedoras. Mas aí as clientes vinham em perguntar: esta peça fica boa para mim?.

Agência Estado |

Na prática, além de atender, tornou-se consultora de moda na loja e em domicílio, atendendo com hora marcada. A cliente é composta por homens e mulheres entre 18 e 70 anos.

AGÊNCIA ESTADO - Por que os clientes buscam o seu trabalho?

CAROLINE RAYEL - Porque se sentem - ou alguém próximo diz - que sua maneira de vestir está inadequada. Isso é relativo. O que digo é todo mundo tem estilo - basta aprimorá-lo, explorar o seu jeito de ser em harmonia com a roupa e os acessórios e ambos com o ambiente. Aí entra um toque de subjetividade, que tem a ver com conforto. Não adianta amar saltos altos e não se sentir confortável com eles. Isso vai aparecer na sua expressão corporal. O mesmo vale se você adora saltos e veste sapatilhas apenas pelo conforto. Também não cairá bem. Você precisa saber qual o seu estilo - despojado, clássico, ou uma mistura dos dois ,dependendo da ocasião.

AE - Qual o ponto de partida do trabalho?

CAROLYNE - O "diagnóstico" do caso começa com um estudo do estilo de vida - o que a pessoa faz, se trabalha, com quem convive, se é casada, solteira, mãe, executiva. O segundo passo é conhecer o guarda-roupa para saber o que se tem à mão. Muita gente acha que se vestir é gastar bastante com grife, e não é. Defendo que é melhor ter poucas e boas roupas, não necessariamente caras, mas com bom corte, tecido que não se modifica com a lavagem. Defendo o "menos roupas é mais". É comum eu ir à casa dos clientes e ver guarda-roupas cheios. Provamos cada peça para saber o que fica bem e que deve ser encaminhado para doação.

AE - Os clientes resistem a mudanças?

CAROLYNE - É bem comum. Muitos guardam roupas como objetos afetivos. Não querem jogar fora o vestido que usou quando foi madrinha de casamento ou o terno que usou quando foi promovido na empresa. Nesses casos, proponho o cliente escolher algumas pessoas e doar as demais para quem precisa - igrejas, orfanatos, amigos, familiares, funcionários domésticos. Em país desigual como o nosso, sempre há quem precise. Em geral, dá certo.

AE - Pode citar alguns casos de clientes que mudaram bastante com o seu trabalho?

CAROLYNE - Há um casal de arquitetos que há três anos me contrata para fazer compras com eles. Importante frisar que minha consultoria não envolve necessariamente a compra das roupas que vendo na minha butique. Saio com os clientes em busca de opções em várias lojas. Voltando ao casal, eles começaram a lidar com um público de alta renda, a participar de eventos sofisticados, e não sabiam como adequar o estilo despojado a esse novo ambiente. Aprimoramos o estilo e hoje eles são elogiados pelos colegas. Outro caso é de uma mulher que ficou 20 anos se dedicando aos filhos, ao marido e à casa. Com os filhos criados, decidiu se cuidar mais, preservando o estilo clássico. Explico que não começamos do zero. A pessoa traz uma história, com uma visão de mundo, valores. E isso não muda - nem deve mudar de uma hora para outra.

AE - Dentre pessoas conhecidas do público em geral, quem você acha que se veste adequadamente?

CAROLYNE - Gosto do estilo da atriz Carolina Ferraz. Ela respeita o corpo longilíneo com calças nem justas nem largas, que respeitam a silhueta e o jeito clássico com um toque de ousadia. Outra, com estilo bem diferente da Carolina, é a Juliana Paes. Ela explora o tipo bem brasileiro - cintura fina, quadris largos, com vestidos que valorizam o corpo. É um caso em que, no início da carreira, ainda estava aprendendo a valorizar esses pontos, mas usava saias mais curtas, mais menina. Agora assumiu a maturidade sem abrir mão da sensualidade.


SERVIÇO:
Carolyne Rayel - (11) 5044 0363 - contato@carogalerie.com.br

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG