Para cada fase da vida, uma cor de cabelo

Para cada fase da vida, uma cor de cabelo Por Vera Fiori São Paulo, 22 (AE) - Se você perguntar a uma mulher, hoje, qual a cor natural do seu cabelo, provavelmente ela vai demorar a responder, tantas as tonalidades que deve ter experimentado ao sabor da gangorra emocional de sua vida. Casamento, filhos, separação, novo romance, um novo emprego, tudo é pretexto para mudanças radicais.

Agência Estado |

E estas tanto podem dar um up ao visual como podem derrubá-lo. Vermelho, louro, castanho, preto, cor de mel, platinado, azul, pink... Tudo é possível, desde que combine com o estilo de vida e personalidade. Nessa linha, a primeira lição é deixar de lado os modismos.

Então, o que se deve levar em conta na hora da escolha? Quem responde são os profissionais do salão Cabelaria, de São Paulo: o visagista André Mateus e as consultoras de imagem Alice Ciampolini e Silvia Beraldo: "Analisamos o perfil da cliente e, a partir de um estudo cromático dividido em cartelas de cores quentes, frias e neutras, começamos pela análise do cabelo, o primeiro a causar impacto pessoal. Mas o guia de cores também orienta na composição de roupas, maquiagem e acessórios", falam as consultoras. Igualmente importante, dizem, é saber qual a mensagem que se deseja transmitir para os outros: dinamismo, irreverência, sofisticação, leveza, estabilidade, entre outras.

Imagine passar a vida inteira usando um tipo de corte, cor de cabelo e roupas que, além de envelhecerem, "brigam"com seu físico, ideias e profissão? Na prática, o trabalho dos visagistas é ajustar o interior com a "embalagem", muitas vezes desencontrados: "Se o cabeleireiro determinar um visual para uma advogada, remetendo à modernidade, isso poderá atrapalhar a sua comunicação, pois ela necessita de sinais mais conservadores. Da mesma forma, uma produção clássica não é adequada para uma profissional que trabalha com moda ou comunicação", fala o visagista André, que também aponta o poder rejuvenescedor das colorações.

Discípulo do artista plástico Philip Hallawell, maior especialista no assunto no País, o cabeleireiro conta que o visagismo não é regido por conceitos de beleza, mas, sim, por temperamentos: colérico (pessoas intimidadoras, com formato de rosto retangular), melancólico (traços de introspecção e delicadeza, em rostos ovais), sanguíneo (pessoas curiosas, joviais, com rosto no formato de triângulo invertido ou hexagonal) e o fleumático (marcado por rostos redondos ou quadrados, como os asiáticos, sendo considerado o tipo mais diplomático e espiritualizado). Mas não são perfis fechados, diz André, lembrando que uma pessoa pode apresentar características mistas.

TENDÊNCIAS, PESQUISAS
Se depender do premiado hairstylist espanhol Antonio Bellver, a brasileira vai desfilar de cabelo curtinho, nuca batida, fios ondulados e cores sensuais, que variam entre os ocres e dourados acobreados. Porém, tendências à parte, o que vale é realçar os pontos positivos do rosto. Para Bellver, não existem mulheres feias, mas, sim, as que sabem ressaltar seus encantos e disfarçar seus pontos fracos. E prossegue: cabe ao profissional, assim como um pintor de talentos, ajudar a mulher a encontrar o look que melhor se adapte ao seu estilo. "Além de domínio da técnica, o colorista precisa ter um bom olho cromático." Para aquelas que pensam em aposentar as tintas, uma dica: "Uma cliente de cabelo branco com um corte moderno é sempre elegante, mas cabe ao cabeleireiro sugerir algumas mechas, luzes douradas ou uma balayage. Caso contrário, elas caem no comodismo."

Claro ou escuro? Houve uma época em que o louro reinava absoluto. Hoje, os castanhos estão super em alta, sinal de que a brasileira está assumindo a latinidade. No rol das celebridades, Ivete Sangalo, Luiza Brunet e Ana Paula Arósio aderiram aos chocolates. Segundo duas grandes empresas de cosméticos, Avon e L’Oréal, os castanhos desbancaram os louros. De acordo com a L’Oréal, os castanhos são a escolha número 1 das brasileiras, com 35,7% da preferência, seguidos dos louros (28,8%) e pretos (17,7%), que quase empatam com os vermelhos (17,6%). Levantamento feito pela Avon demonstra que a brasileira gosta muito do chocolate e dos vermelhos, como o 6.6 (louro escuro avermelhado) e o 6.56 (louro escuro acaju avermelhado).

Foi-se o tempo em que a mulher só recorria às colorações para cobrir os fios brancos. Moda e beleza andam juntas, e as tintas viraram acessório imprescindível para compor um estilo pessoal - e cada vez mais cedo. Segundo dados da Nielsen Scantrack Database de 2008, 49% das mulheres entre 18 e 24 anos colorem o cabelo. O aquecimento desse mercado tem atraído mais empresas, caso da Phytoervas, com tradição na área de tratamento e que acaba de lançar a linha PhytoColor, com ativos que garantem tratamento por seis semanas.

TINGINDO EM CASA
Segundo pesquisa do Instituto IPSOS, com 999 entrevistadas de quatro capitais, no Brasil, a cada dez mulheres, oito colorem o cabelo em casa. Apesar do consumo doméstico elevado de tais produtos, as consumidoras têm muitas dúvidas, como, por exemplo, a diferença entre tinta permanente e tonalizante. Rosemary Miliauskas, química da Avon, especializada em cuidados com os cabelos, esclarece que as tintas permanentes são indicadas para quem tem mais de 50% de fios brancos na cabeça. "A cobertura e o poder de fixação são maiores do que no tonalizante."

Quando o quesito é durabilidade, entre as cores de vida curta, o vermelho ganha disparado. Enquanto os castanhos duram, em média, 20 lavagens, os vermelhos suportam apenas 12, isso por causa de um componente próprio da cor, o óxido de ferro, explica a Rosemary. Quer radicalizar? Cuidado: "Se você é morena e quer ficar loura, lembre-se de que tinta não clareia tinta. Em casa, é possível clarear, no máximo, três tons. O certo é procurar um profissional para fazer a descoloração e, depois, aplicar a tinta."

Uma frase comum entre as mulheres é: "eu quero a cor igual a de..." Vale tanto para a foto que ela vê na caixinha da tinta como para o cabelo da amiga ou da celebridade da revista. No primeiro caso, Rosemary esclarece que a ilustração da embalagem é apenas uma referência.

Quanto a copiar cores de outras pessoas, esperando o mesmo resultado, desista. "Vai depender da cor natural e da textura do cabelo de cada uma. As mulheres de etnia oriental ou árabe, por exemplo, têm cabelos muito mais resistentes à descoloração."

Tintura estraga os cabelos? Segundo Rosemary, antigamente a função dos produtos era apenas abrir as cutículas dos fios, liberando o caminho para o corante. "Hoje usa-se menos amônia, e é feito um pré-tratamento, diminuindo as agressões aos fios."

Quanto ao erro mais comum ao pintar o cabelo em casa, Rosemary lembra que quem tem cabelo comprido não deve torcê-lo, prendendo-o com uma presilha depois de aplicar a tinta. "Esse procedimento pode manchar o cabelo. O certo é deixá-lo solto."

Para orientar a consumidora, a Avon - que lançou este ano a sua linha de coloração com 28 tonalidades - disponibiliza em seu site (www.avoncoloracao.com.br) dicas do cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, um passo a passo para não errar na aplicação e uma calculadora, com a qual é possível simular uma transformação, usando a cartela de cores. Basta adicionar uma foto pessoal e seguir as instruções para o antes e depois virtual.

CORES DO ARCO-ÍRIS
Cabeleiras em tons incomuns deixaram de ser um referencial de idade ou de tribos alternativas. Dependendo do perfil feminino e da produção, o "lilás algodão doce", ganha ares futuristas e sofisticados. Na Europa, mulheres maduras dão um toque de humor ao look, deixando uma ou outra mecha colorida.

Rock e moda sempre flertaram. As cores subiram à cabeça no início dos anos 80, com o movimento de rock New Wave, onda lançada por Cindy Lauper, Boy George, Blondie, Talking Heads, entre outros. Foi uma fase divertida na moda, com direito a cabelos desfiados, glitter, ombreiras gigantes, jeans coloridos e cores cítricas.

Hoje os animes (desenhos japoneses) inspiram cabelos de tons fortes, como o azul Bic da VJ Marimoon. Mas um arco-íris particular é a bossa da designer gráfica carioca Ericka Costa, 25 anos, atualmente morando na Alemanha. Éricka faz parte do seleto grupo (0,3% de mulheres) que usa cores incomuns. É simpatizante dos animes e adora o visual coloridíssimo das garotas de Harajuko, no Japão. Um cabelo igual ao dela, acima de tudo, exige atitude:
- Gosto de meias-calças coloridas e, se tiver calor, uso meias arrastão. E também adoro sapatos. Tenho uma coleção de Melissas. Maquiagem, esmaltes e acessórios não podem faltar. Para filtrar tanta "informação", o resto tem que ser meio básico, como as camisetas, saias, shorts, bermudões.

Conta que tudo começou aos 12,13 anos: "Usei acobreado, depois louro, e passei para o vermelho. Depois me lembro do laranja, louro com mecha rosa e laranja, roxo puro, roxo com mechas turquesa, azul puro e azul com mechas rosa e laranja... Durante a gravidez, só pintava as pontas dos cabelos."

Quanto ao atual look arco-íris, conta que nunca tinha visto algo parecido em ninguém, mas que gosta do seu significado: "Fiz tudo em casa. Ja tentei usar as tintas nacionais, mas não deu certo, por isso indico as importadas. É preciso descolorir, mesmo para quem já é loura. Só assim a tinta chega à sua cor plena, como na embalagem."

Para as meninas que querem copiar o look, cuidado na escolha dos produtos: "O passo a passo consiste em descolorir, lavar o cabelo, aplicar a tinta, dar uma pausa e, em seguida, enxaguar. O ideal é escolher um descolorante sem amônia, pois clareia do mesmo jeito com a vantagem de não ter cheiro forte nem arder o couro cabeludo."

O segredo para não ressecar os fios, evitando o efeito palha, é investir em cosméticos de qualidade. "Minha dica é passar leave-in com protetor solar, para a cor durar mais, e fazer manutenções capilares periódicas, como hidratações, tratamento à base de queratina. Não pinte o cabelo se não for cuidar."

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