Para analistas, Ibope mostra Kassab como opção tucana

Pesquisa do Ibope publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pode ser uma opção do PSDB para a disputa à sucessão estadual em 2010.

Agência Estado |

Fiel ao governador José Serra (PSDB), Kassab pode ser cotado para compor uma aliança DEM-PSDB para o Palácio dos Bandeirantes, se outro candidato tucano alinhado ao governador não for viabilizado. A avaliação foi feita hoje pelos cientistas políticos Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper, ex-Ibmec) e Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente.

A pesquisa envolveu sete cenários e em dois deles Kassab venceria, sem outros candidatos do PSDB. Concorrendo com Paulo Maluf (PP) e Antonio Palocci (PT) o prefeito ficaria com 28% dos votos, ante 17% e 3% dos demais, respectivamente. Em uma segunda simulação, teria 22% dos votos ao concorrer com Maluf (17%) e a petista Marta Suplicy (14%). O ex-governador Geraldo Alckmin lidera as intenções de voto na pesquisa, com 42% a 51%, e poderia vencer no primeiro turno se a eleição fosse hoje. A base de apoio ao tucano, contudo, está fragilizada.

Apesar de liderar as intenções de votos, o ex-governador Alckmin pode não ter sua candidatura viabilizada, avalia Carlos Melo. A tendência, acredita ele, é Serra manter o controle político do Estado com alguém mais alinhado a ele. Apesar de compor o secretariado de Serra, Alckmin já entrou em confronto com o atual governador em eleições passadas. E a opção pode recair em Kassab.

"Kassab aparece o tempo todo ao lado de Serra, o que o ajuda a ser lembrado. Além disso, o marketing político da campanha à Prefeitura no ano passado foi muito feliz e repercutiu no Estado de forma significativa", reiterou Humberto Dantas. "Kassab é prefeito de uma capital com dez milhões de habitantes e conta com boa aprovação. Claro que é um nome a ser considerado."

Dantas pondera que Kassab pode ser um elemento novo na disputa da sucessão estadual, já que, no seu entender, Alckmin foi neutralizado por Serra. Mas acredita que, neste momento, Kassab e o ex-governador têm quase o mesmo peso dentro das opções do PSDB para a sucessão estadual. Mais à frente, contudo, Dantas avalia que os tucanos podem não abrir mão da base de intenções de voto de Alckmin.

Contraponto

Ambos os cientistas políticos ressaltaram que o desempenho do prefeito da capital paulista na pesquisa pode ter sido influenciado pelo chamado efeito "recall", em que nomes mais conhecidos são mais lembrados pelos eleitores. "Qualquer pesquisa neste momento está muito ligada ao recall e revela muito mais a lembrança do eleitor, que efetivamente intenção de voto", afirma Carlos Melo, do Insper.

Ele pondera que Alckmin é muito lembrado por ter sido governador por seis anos, além de candidato a presidente e a prefeito. Kassab acabou de disputar uma eleição municipal com muita visibilidade e Maluf também se favorece desse efeito. "Palocci e Aloysio (secretário da Casa Civil do governo Serra, Aloysio Nunes Ferreira), aparecem com pouca intenção de voto, mas ainda podem crescer com os recursos de suas eventuais campanhas. Ciro Gomes, que está em uma posição intermediária, também tem possibilidade de crescimento", avaliou.

Quanto às chances do Partido dos Trabalhadores no pleito, Melo lembra que, historicamente, o PT nunca foi protagonista na eleição estadual em São Paulo, com exceção de 2002, quando José Genoino foi para o segundo turno, mas perdeu o pleito para Geraldo Alckmin. "O PT sempre foi uma terceira força, que em determinados momentos se juntou aos aliados do covismo (partidários do falecido governador tucano Mário Covas) por conta de sua aversão atávica ao malufismo". Melo destaca também que esse protagonismo eleitoral, que já foi do PMDB, hoje beneficia o PSDB, que também captou parte dos eleitores de Maluf para o partido. "Não é à toa que o Kassab, um egresso do malufismo, aparece com essa força."

Para Humberto Dantas, do Voto Consciente, o PT aparece com intenções de voto muito baixas, que não refletem o patrimônio eleitoral do partido no Estado. O PT carece de novas lideranças em São Paulo, diz, mas ainda tem força em algumas regiões, como a metropolitana, avaliou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG