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SÃO PAULO - O advogado Ricardo Martins, que com o também advogado Rogério Néri faz a defesa dos pais da menina Isabella Nardoni, afirmou que uma suposta fala da criança pedindo socorro antes de cair do 6º andar do prédio pode ser interpretada de diversas maneiras. O advogado chegou na tarde desta terça-feira no 9º Distrito Policial de São Paulo, no Carandiru, zona norte de São Paulo, para acompanhar as investigações. Nesta segunda-feira, uma moradora do prédio de onde a garota caiu teria dito à polícia que escutou gritos de uma menina dizendo pára, pai antes da queda de Isabella, no último sábado.


"A fala da criança em pedido de socorro pode ser interpretada de diversas maneiras. Quando uma criança está em perigo ela sempre irá buscar pelo pais. É uma frase interpretativa", disse Martins, que faz a defesa do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, pais de Isabella, que eram divorciados.

Para o advogado, o fato de que os pais estiveram juntos durante o velório da criança revela que eles têm uma relação saudável. Martins e Neri estão na tarde desta terça-feira no nono distrito policial, onde está sendo realizada a investigação, para acompanhar o depoimento de policiais militares e bombeiros que atenderam a ocorrência, minutos após a queda da garota.

Nesta terça-feira pela manhã, três moradores do prédio prestaram depoimento à polícia no 9º DP do Carandiru. Uma delas, moradora do 1º andar do mesmo edifício, e que não quis se identificar, disse apenas ao sair da delegacia que deu "informações que vão ajudar a esclarecer o caso", mas sem dar mais detalhes. Ainda nesta terça-feira mais cinco pessoas serão ouvidas.

A polícia pediu ainda a transcrição de quatro telefonemas feitos do prédio ao Comando da Polícia Militar (COPOM) na noite da morte.

Causa da morte

Laudo preliminar feito pelo Instituto Médico Legal (IML) indica que a menina foi sufocada antes da queda. Profissionais do IML, que trabalham no laudo, observaram características típicas de estrangulamento no corpo da menina, como a língua e a extremidade das unhas arroxeadas.

O delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, afirmou que exames preliminares indicaram que a queda pode não ter sido o motivo da morte de Isabella.

Reprodução
Isabella ao lado da mãe
Os legistas estranharam um ferimento na testa e outro nas coxas da menina. Inicialmente, eles acreditavam que as feridas eram mordidas. Mas, após análise, a hipótese foi descartada. A camiseta azul da menina estava rasgada nas costas.

Oficialmente, o diretor do IML, Hideaki Kawata, afirma que, por ora, não tem condições de dizer se a garota foi agredida. Ela morreu em decorrência da queda, isso é fato, disse Kawata. Nesse momento, qualquer afirmação diferente dessa é especulação.

Desde o início das investigações, a polícia crê em homicídio. Isabella caiu do 6º andar do edifício London na madrugada de sábado. Ela estava no apartamento do pai, o consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da madrasta Anna Carolina Trotta.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado afirmou que Nardoni e Anna Carolina não são suspeitos. "Eles são averiguados", frisou.

A reconstituição do caso não tem data confirmada, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública.


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