SÃO PAULO - Terminou por volta das 19hs desta quarta-feira (30) os depoimentos de onze testemunhas do inquérito que apura o caso do menino Gabriel. Os advogados de defesa da creche Pedaçinho da Lua, entregaram a ficha de saúde à polícia e defenderam que não houve negligência no atendimento à criança. Para eles, o menino, provavelmente, morreu subitamente. SÃO PAULO - Terminou por volta das 19hs desta quarta-feira (30) os depoimentos de onze testemunhas do inquérito que apura o caso do menino Gabriel. Os advogados de defesa da creche Pedaçinho da Lua, entregaram a ficha de saúde à polícia e defenderam que não houve negligência no atendimento à criança. Para eles, o menino, provavelmente, morreu subitamente.

Ao final dos depoimentos, Roberto Rinaldi, advogado de defesa da creche, apresentou à imprensa cópias dos documentos que foram entregues à polícia. Ele rebateu as acusações do pai e afirmou que não houve, em hipótese alguma, negligência ou qualquer modalidade de culpa que possa comprometer às funcionárias da creche.

Em momento algum foi informado à instituição que Gabriel tinha problema de refluxo ou doença; a ficha está em branco, disse.
Segundo ele, o bebê aparentava estar dormindo e não esboçou nenhum tipo de reação que chamasse à atenção das funcionárias. O advogado ressaltou que e o monitoramento das crianças é feito a cada 15 minutos e que em momento algum Gabriel ficou sozinho no quarto.

Rinaldi voltou a afirmar que todos os procedimentos com relação à alimentação e cuidados básicos foram tomados com a criança e contestou a afirmação feita pelo pai de Gabriel nesta tarde de que o menino teria agonizado por cerca de meia hora. "Gostaria que ele apresentasse a prova", disse. O tempo da morte e a causa da morte só o laudo vai poder apontar."

O advogado afirma que dos 70 alunos matriculados na creche, apenas cinco crianças abandonaram a instituição após o incidente. 

Nesta quinta-feira (31), devem ser ouvidos no 90º Distrito Policial dois médicos do Hospital Nipo-brasileiro. A pediatra de Gabriel, segundo Rinaldi, deve ser ouvida na próxima semana.

O inquérito foi instaurado pelo delegado titular da 90° Delegacia de Polícia da capital,  Sergio Alves e  está sendo acompanhado pela promotoria Cinthia Maria Schiavoni Gruber.

Versão da família

Durante a tarde de depoimentos, Júlio César Ribeiro, pai do bebê, compareceu à delegacia para conversar com a imprensa. O pai afirmou que foi um erro da polícia deixar a ficha com os advogados, já que o caderno poderia ser facilmente adulterado. Ribeiro reafirmou que sua mulher preencheu a ficha de saúde de Gabriel, e, ao final, fez um apelo aos jornalistas: Parem de falar do refluxo. A causa morte do meu filho não é a minha revolta. O grande problema é que não havia ninguém cuidando do meu filho e ele não foi socorrido a tempo.

Ribeiro contou que saiu às 14h do trabalho, tocou a campainha da creche às 14h15 e o resgate teria sido acionado às 14h18, minutos após sua chegada. É um absurdo, só perceberam que ele estava passando mal quando cheguei. Ninguém olhou meu filho agonizando, disse.

Sobre a saúde de Gabriel, ele disse que a criança passou por uma cirurgia aos seis meses para a retirada de um 6º dedo na mão e saiu do hospital no mesmo dia, saudável. "Gabriel tinha 9 quilos e comia muito bem; o refluxo estava controlado", afirmou.

Familiares do bebê Gabriel protestam em frente à creche



O caso

O menino Gabriel, de 7 meses, foi encontrado morto na creche Pedacinho da Lua, na Zona Norte de São Paulo na sexta-feira (25). Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava bem de saúde. De acordo com declarações da mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava feliz, contente e sem nenhum problema de saúde.

A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.

"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. (leia a íntegra)

Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.

A família anda revela que, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.

A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com a criança "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a instituição informou que o Corpo de Bombeiros foi acionado assim que perceberam que a criança poderia estar morta.


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