Publicidade
Publicidade - Super banner
Brasil
enhanced by Google
 

Papel da mulher é ser o esteio da família, diz autora

No Dia Internacional da Mulher, Amalia Sina, 46 anos, pode ser uma figura inspiradora para muitas mulheres que tentam conciliar carreira e vida pessoal. Filha de uma polonesa e um chinês, ela é reconhecida como uma das mais bem sucedidas executivas brasileiras: foi presidente da Philip Morris do Brasil, da Walita do Brasil e sênior vice-presidente da Philips para América Latina.

Agência Estado |

Em 2006, investiu no seu sonho e abriu a própria empresa, lançando a Sina Cosméticos. "Para tentar dar conta de tudo, criei a Teoria dos 70%, que tem um certo tom libertador", ensina ela, casada há 16 anos, mãe de Lucas (de 14) e autora de vários livros, entre eles "Mulher e Trabalho - O desafio de conciliar diferentes papéis na sociedade", que lança hoje na Livraria da Vila, no Jardim Paulista, em São Paulo. Para o final do ano, ela promete colocar no mercado "Sina, Seu Destino é ser Feliz", também pela Saraiva Editora.

Para ela, o que falta para as mulheres deslancharem na carreira sem culpa é estabelecer, logo no início da vida profissional, seus verdadeiros valores. "A mulher precisa se perguntar o que realmente preza. Quanto está disposta a dar? Do que está pronta para abrir mão? No mundo dos negócios, que é um lugar que foi desenhado pelos códigos masculinos, o preço vai ser alto. E não é porque você desvenda os códigos que você terá sucesso. É uma jornada onde não adianta ir olhando para trás para depois voltar. Não tem volta. Uma vez que você deseja galgar passos maiores, ganhar mais espaços, mais responsabilidades, mais projeção dentro de uma carreira executiva, não tem mais como voltar", alerta Amalia.

Segundo ela, há um momento específico na carreira em que ocorre uma "bifurcação", que é quando a mulher para e avalia o que está disposta a fazer. "Quando você decide isso, tem que fazer as contas das perdas emocionais. Enquanto muita gente convivia com o aniversário do filho, muitas vezes eu perdi o aniversário do meu. Eu via que as pessoas tinham horários para conviver com a família e jantar juntos, e eu não tinha isso. Enquanto minhas amigas tinham filhos aos 25 anos e já viviam a plenitude da maternidade, eu só fui ter o meu filho aos 32 anos", diz ela, comentando que é comum "empurrar" algumas coisas que podem atrapalhar a sua carreira em determinada época. "É muito difícil chegar lá, seja onde for, sem abrir mão de um monte de coisa. Não é possível ter só lucro, o prejuízo vem junto também. Mas eu sabia qual era o meu bem maior, o que eu queria lá no final, que era construir a minha família".

Amalia defende o pensamento que uma família só caminha bem e feliz se a mulher estiver realizada. E faz um comparativo. "É como imaginar um desenho, onde eu sou o Sol e tudo ao redor, principalmente o meu filho, é o satélite. Se eu não brilhar no sentido de dar energia, se eu não estiver feliz, como é que eu serei uma boa mãe? Como vou ser uma boa esposa?", questiona.

Trabalho

Exemplo de sucesso no mundo dos negócios - um ambiente predominantemente masculino e mais hostil - ela lista algumas diferenças entre o homem e a mulher, que podem refletir na trajetória da carreira. "Quando um homem é objetivo e direto no assunto, ele é considerado assertivo. A mulher, quando é direta e objetiva, é considerada agressiva. Esse é um dos fatores que impedem algumas mulheres de chegar lá na frente. Primeiro porque algumas não querem pagar o preço alto exigido e segundo porque elas vão ter que puxar o sabre. E às vezes não dá para ter piedade, porque você vai ser atacada".

Por 18 anos, Amalia deu aulas em escolas conceituadas como Fundação Getúlio Vargas, USP, ESPM, entre outras. Sobre os alunos - a quem costumava chamar carinhosamente de meninos e meninas - ela recorda que todos queriam saber qual era a fórmula para alcançar o sucesso. "Todo mundo me perguntava isso, mas eu não me lembro de ninguém me perguntando: 'professora, quanto é que vai custar para eu chegar lá?', 'o que eu vou ter que abrir mão?', 'quanto dói?', 'tem labaredas na cadeira que eu vou sentar?', 'eu vou ver meu filho sempre?' ", diz ela, que chegou a ficar três meses fora, na Rússia, sem ver meu filho. "Claro que dói, mas eu tive tantas outras coisas boas. Hoje meu filho está com 14 anos e vem trabalhar comigo no final do ano. Ele tem orgulho de mim."

Quando Lucas nasceu, Amalia não desfrutou dos quatro meses de licença-maternidade garantidos por lei. "Trinta dias após ter meu filho, eu estava sentada na minha cadeira tão magra quanto antes, só que meu leite secou e eu não pude amamentar. Se eu tivesse que dar um conselho para mulheres que estão passando por isso, diria para não abrir mão desses momentos divinos e maravilhosos que só a mulher pode ter, que é a maternidade", emociona-se. Das várias lembranças da infância do filho, Amalia lembra especialmente do dia em que Lucas deu o primeiro passo. "Eu estava lá e isso foi representativo para mim."

Teoria

Mas como desempenhar tantos papéis - executiva, esposa, mãe, amiga, etc - sem enlouquecer? Ciente de que a jornada não seria fácil, ela conta que criou uma técnica, à qual batizou de "Teoria dos 70%". "Com todos papéis para executar, fica quase impossível fazer tudo 100%. Então, eu decido que posso ser 70% nos meus papéis. Eu não vou entregar tudo que todo mundo quer que eu entregue, não posso estar em todos os lugares que meu filho gostaria que eu estivesse. Então isso me liberta, pois eu sei que não vou conseguir ser 100% em tudo. Como mãe, eu amo 100% meu filho, mas eu sei que sou uma mãe 70%. Essa teoria também me ajuda a aceitar os erros de um monte de gente. E isso me faz ser uma pessoa melhor, uma chefe melhor, uma amiga, uma mãe, uma esposa melhor."

A teoria nasceu quando Amalia tinha 32 anos, ou seja, logo após se tornar mãe. "Percebi que o negócio não era tão simples como eu imaginava (risos). Daí, eu comecei a criar em torno de mim uma estrutura que me ajudasse a seguir com o meu objetivo, que era ser executiva". Objetivo, aliás, traçado com apenas 23 anos. Certa do que queria, a empresária conta que determinou que seria gerente antes do 30, diretora antes dos 40 e presidente antes dos 50. "Mas aos 36 eu já era presidente. Eu sempre tive o sucesso desde o primeiro momento em que eu pus a mão no mundo dos negócios. Eu acreditei nas minhas fortalezas e não naquilo que eu não sabia fazer. Mas uma coisa eu posso te garantir, sucesso acompanhado com felicidade eu só conheci agora, nesses últimos quatro anos, desde que eu investi na minha própria empresa, quando eu parei de ter chefe e entendi que existe a possibilidade de você viver sem uma faca no pescoço."

Perdas

Mas tanta determinação tem origem. Além da descendência chinesa, que a ajuda a "valorizar as coisas que Deus deu e não as coisas que não tenho" - Amalia tem um drama, uma tragédia que a impulsionou positivamente. "Sou órfã de pai e mãe desde os 9 anos. Esse fato doloroso é uma mola propulsora, é um motor de arranque para mim. Quando as perdas não te matam, te deixam mais forte", ensina ela.

Para Amalia, as mulheres se culpam muito porque o perfeccionismo as impedem de delegar tarefas. "A mulher acha que ninguém vai fazer tão bem quanto ela. Então supervisiona muito, dá opinião, quer ir mais num detalhe. A mulher não nada na superfície, ela nada profundamente nas coisas, ela quer pegar corais, ela quer ver tudo lá embaixo."

Quando questionada se faria algo diferente, Amalia aflora novamente a paixão pela maternidade. "Eu não teria deixado de amamentar meu filho, independente de todas as coisas". E aconselha. "Ninguém vai morrer porque vai ficar um ano em casa cuidando da prole. Ninguém. Só que é muito fácil falar isso agora, olhar para frente com o retrovisor. Se eu soubesse que tudo daria certo no futuro, eu teria dedicado um ano da minha vida única, exclusivamente e totalmente ao meu grande tesouro, que é o meu filho. Porque hoje tudo que eu vivo, tudo que eu faço, claro que tem realização minha, mas é por ele e para ele. Eu acredito que a família é o esteio da sociedade e a mulher é o esteio da família. A gente não pode fugir desse papel. Se a gente tivesse que escolher um papel, que seja ser o esteio da família. Em torno da mulher, gira tudo. Há uma pesquisa que diz o seguinte: se quer ensinar um homem, você ensina um homem. Se você quer ensinar a família toda, ensine uma mulher."

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG