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Papa condena marxismo e capitalismo e afirma que aborto é "ameaça aos povos"

13/05 - 15:43, atualizada às 00:59 14/05 - Luiz Raatz, repórter Último Segundo

APARECIDA - No discurso mais esperado dos cinco dias de viagem ao Brasil, realizado na abertura dos trabalhos da 5ª Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, o papa Bento 16 criticou o marxismo e o capitalismo, condenou mais uma vez o aborto e uso de anticoncepcionais - afirmando que são "ameaças ao futuro dos povos" - e ressaltou que política "não é competência da Igreja".

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    “Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si mesmas. Afirmaram que não só não havia tido a necessidade de uma moralidade individual prévia, mas que também elas fomentariam uma moralidade comum. E estas promessas ideológicas se mostraram falsas”, disse Bento 16.

    A mensagem reafirma a postura do então cardeal Joseph Ratzinger, quando prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que impôs limites à atuação de sacerdotes ligados à Teologia da Libertação. Movimento que se fortaleceu na América Latina como a "Igreja dos pobres e pelos pobres", a Teologia da Libertação foi tema principal de conferências regionais anteriores. 

    Apesar de ter feito um discurso com mensagem política, o pontífice ressaltou que a política "não é competência da Igreja". Pela manhã, neste domingo, o papa já havia afirmado que "a Igreja é fé, e não ideologias".

    O pronunciamento aos bispos, que participam da conferência, foi feito em espanhol e durou cerca de uma hora. Nele, o Santo Padre voltou a colocar sua posição sobre o aborto. “Na atualidade, a vida humana sofre situações adversas provocadas pelo secularismo e relativismo ético, pelos diversos fluxos migratórios, pela pobreza, pela instabilidade social e de legislações civis contrárias ao casamento que, ao favorecer os anticoncepcionais e o aborto, ameaçam o futuro dos povos”, afirmou. 

    Pobreza e América Latina

    Sobre a pobreza na América Latina, Bento 16 disse que a população merece uma condição "mais humana". “Os povos latino-americanos e caribenhos têm direito a uma vida plena e com condições mais humanas livres da ameaça da fome e da violência. Seus pastores têm que apoiar uma cultura de vida que permita, como dizia o papa Paulo 6º, ‘passar da miséria à posse do necessário’”, concluiu. 

    O pontífice criticou ainda o autoritarismo de alguns governos na região, sem citá-los especificamente. “Na América Latina e no Caribe se viu a evolução da democracia - ainda que haja motivos de preocupação frente às formas de governo autoritárias ou sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas e que não correspondem com a visão cristã do homem e da sociedade”, afirmou o papa.

    “Por outro lado a economia liberal de alguns países da região tenta apresentar igualdade porque setores da sociedade vivem o aumento de uma enorme pobreza”, completou. 

    Durante o discurso, ele ainda citou a necessidade do Estado laico e da pluralidade de posições políticas para a tradição cristã autêntica. “Os movimentos eclesiais têm aqui um amplo campo de recordar aos laicos sua responsabilidade de levar a luz do evangelho à vida pública, cultural, econômica e política”, afirmou.

    E criticou, mais uma vez, o hedonismo e outras religiões chamadas por ele de “seitas pseudo-religiosas.” “Se percebe uma debilitação da vida cristã devido ao secularismo, ao hedonismo, ao niilismo e ao proselitismo de diversas seitas, religiões baseadas na Natureza e novas expressões pseudo-religiosas”, afirmou.

    Catolicismo e povos indígenas

    Bento 16 negou que o catolicismo tenha sido imposto pela Igreja aos povos indígenas que viviam na América do Sul. O papa disse que a cultura indígena permite afirmar que, mesmo sem saber, os índios procuravam Jesus Cristo. "O que significou para os povos latino-americanos ter aceitado a fé cristã? Para eles, significou conhecer e acolher Cristo, o Deus desconhecido que seus antepassados, sem saber, procuravam em suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que buscavam silenciosamente", disse o pontífice.

    Mensagem pelos meios de comunicação

    O papa pediu ainda que os bispos utilizem dos meios de comunicação para levar a fé ao povo através da catequese e que isso não se limite apenas às homilias, aos sermões, conferências e à teologia. O papa pediu que os sacerdotes utilizem dos jornais, TVs, internet e fóruns para “comunicar a mensagem de Cristo a um grande número de pessoas”.

    Sobre a Conferência

    Reuters
    Religiosos participam da abertura da Celam  
    A Conferência que teve início neste domingo e deve terminar no dia 31 de maio. O encontro deve nortear as discussões sobre grandes temas da atualidade que definirão o futuro da Igreja Católica nos próximos anos.

    É esperado que os participantes se posicionem a respeito das conseqüências da globalização, que agravou o problema da pobreza, a exclusão do continente e até o aquecimento global.

    Será determinada ainda a forma como os bispos do continente enfrentarão problemas como a perda de fiéis, a falta de padres e o confronto com questões polêmicas como o aborto, a eutanásia e o uso da camisinha.

    (Com BBC Brasil)

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