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Fiéis dormem no asfalto para assistir à missa campal em Aparecida

13/05 - 13:34 , atualizada às 23:13 13/05 - Luiz Raatz, repórter Último Segundo

APARECIDA –  O sacrifício de muitos fiéis para ver o papa marcou a missa rezada por Bento 16 na Basílica Nacional neste domingo. Assista às entrevistas com fiéis em Aparecida.

 

No dia das mães, muitas donas de casa deixaram suas famílias mais cedo para ver o pontífice. Algumas, amamentaram seus filhos durante a missa, debaixo de um calor de quase 30º. Muitas pessoas chegaram na noite de sábado. Outras, durante a madrugada.

Ao todo, 150 mil pessoas estiveram no Santuário Nacional, abaixo da previsão de 230 mil. O número inicial esperado, antes da chegada do papa à cidade, era de 500 mil romeiros.

AE
Público acompanha missa campal em Aparecida
Público acompanha missa campal em Aparecida

Diversos fiéis dormiram no palco reservado para a celebração na esperança de chegar a um lugar mais próximo do papa. Enquanto alguns romeiros se prepararam com sacos de dormir e lanches trazidos de casa, outros estavam em jejum e adormeceram no asfalto duro.

É o caso da dona de casa Maria Elza da Silva, de Lorena, no Vale do Paraíba. Ela deixou os filhos  e o marido e veio com uma amiga ver o papa com a roupa do corpo. Tentou dormir no chão e comeu apenas algumas bolachas. Longe do palco, não conseguiu comungar. “Mas mesmo assim valeu a pena, mesmo que tenha o visto só pelo telão”, disse Maria, que reclamou calor. “Esse sol está de matar. Preferia que estivesse frio”.

O instalador de janelas Silvio de Andrade, de 21 anos, veio de Volta Redonda, no Rio de Janeiro de bicicleta para a missa. Ele cumpriu uma promessa que fez a Nossa Senhora. Se conseguisse comprar uma bicicleta com dinheiro próprio, viria à Basílica pedalando. Parcelou o veículo em 12 prestações. Já pagou 11 delas. A viagem de 171 km durou cinco horas. O ciclista chegou às 4h de hoje na Basílica. “Viajar de madrugada é gostoso, e ver o papa vale a pena, não reclamo não”, diz. Na mochila, apenas um capacete e uma bermuda. Não dormiu e estava em jejum.

Os guarda-chuvas eram os principais companheiros dos romeiros e o calor, o inimigo.

"A sombrinha aqui está dando um jeito", falou a Irmã Salete Bampi, superiora da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição.  Foi ela quem liberou a Irmã Célia Cadorim para ser a postuladora do processo de canonização de Santo Antonio Galvão. Após falar pessoalmente com o papa na sexta, no Campo de Marte, ela veio a Aparecida assistir à missa. “Ele é muito sorridente. Me abençoou e foi muito simpático”, contou a freira, sentada em um banquinho com outras três irmãs.

Em meio a tanto calor e sem sombra, teve gente que não agüentou o cansaço e dormiu. Outros arregaçavam as calças jeans para aliviar o desconforto. Crianças, idosos e adultos se amontoaram. “Foi horrível dormir no chão gelado e agüentar o sol, mas pelo papa vale a pena”, diz a adolescente Talita de Souza, de 13 anos. Para ela, o melhor da visita foi fazer novas amizades. “Fiquei amiga de uns chilenos. Mas eles falam muito rápido, não dá pra entender direito”, brinca.

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