12/05 -
18:09
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Agência Estado
A cidade de Potim, no Vale do Paraíba, preparou-se para ver o papa. Foram meses organizando comissões, preparando bandeirinhas, contratando artistas e incentivando a fé de seus moradores.
Os mais de dois mil fiéis, concentrados na principal avenida da cidade, estavam em êxtase. Foi exatamente às 13 horas (esse papa alemão é de pontualidade britânica) que a Mercedes do papa surgiu no início da avenida Mário Covas. Nesse momento, uma locutora incentivava a população a cantar: "Bento XVI, eu vim aqui só pra te ver!". As bandeirinhas também tremulavam e muitas senhoras já abriam o berreiro. O dia mais importante de Potim durou cerca de 30 segundos. Bento XVI passou de vidros fechados (e escuros) sem acenar para a população. A animada, e distraída, locutora deixou escapar no microfone um hilário "ué, o papa já passou?"
No rosto do prefeito, ficou estampada uma indisfarçável decepção. "Acho que a comitiva do papa e o exército foram insensíveis. Não custava nada...", disse. "Mas ele nos abençoou de dentro do carro. A cidade precisa ficar orgulhosa e feliz", consertou. Pois é. Não foi dessa vez. A tão sonhada quebra de protocolo não aconteceu. A cidade de Potim serviu apenas como trajeto entre a Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, e Aparecida. O padre da cidade, que de manhã esbanjava confiança, tentava ser elegante. "Foi lindo. O importante não é ver. O importante é saudar o papa", disse.
Cerco ao carro?
Outras pessoas também se disseram satisfeitas. "Olha, eu estou emocionada. Foi o maior evento que essa cidade já viu. Foi muito divertido", comemorou Maria das Dores Vieira Paulina, 65 anos. É claro que nem todos saíram com essa boa impressão. "Não gostei, não gostei. Por que ele não colocou pelo menos um braço pra fora do carro?", reclamou Odete Ramos de Oliveira, 47 anos. "Eu bem que disse para o prefeito mandar cercar o carro do homem", brincou o Pedreiro João Tenório da Silva, 33.
Além da dureza da programação papal, muitos culparam a existência de dois presídios na cidade pelo o que aconteceu hoje. "Aqui, a gente tem o Potim I e o Potim II. É claro que a segurança do papa não daria essa sopa para o azar", comentou Ronaldo Aparecido Souza, 41 anos. Durante a rápida passagem da comitiva do papa, a tropa de choque ficou de plantão em frente aos dois presídios. No final, o povo se conformou. O amor pelo papa foi maior do que a decepção. "A gente é brasileiro e não desiste nunca", provocou um ambulante de Potim.
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