11/05 -
19:36
, atualizada às 21:47 11/05 -
Agência Estado
Enquanto o papa Bento 16 cobrava em São Paulo honestidade dos políticos brasileiros e criticava o aborto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltava a ressaltar a autonomia do Estado em relação à Igreja. Ao participar do I Fórum de TVs Públicas, em um hotel de Brasília, Lula fez uma defesa contundente do debate sobre a legalização do aborto.
Lula fez questão de lembrar de uma conversa reservada que teve com Bento 16 no Palácio dos Bandeirantes, ontem. "Eu já disse para o papa, o Brasil é um país laico e nossa TV pública será laica", afirmou.
Na conversa entre Sua Santidade e Sua Excelência, em São Paulo, Bento 16 defendeu o ensino religioso nas escolas brasileiras. Lula foi além nos ataques indiretos à Igreja. Ele chegou a defender o debate sobre células tronco, outra questão que causa polêmica entre os religiosos.
No mesmo discurso de improviso no fórum, o presidente, no entanto, citou Deus ao falar dos projetos de governo. "Deus me deu o segundo mandato para fazer coisas novas, e uma delas é a TV Pública", disse Lula.
O presidente sempre manteve boas relações com a Igreja e dela sempre obteve apoio, seja como sindicalista, seja como político. Assessores, no entanto, contam que não é do feitio do presidente receber calado críticas de quem quer que seja.
Interlocutores não informaram se Lula tinha conhecimento, ao fazer o discurso a favor do debate sobre o aborto, das críticas de Bento 16 aos políticos com poder de decisão.
O presidente sempre teve no seu gabinete assessores com forte relação com a Igreja. É o caso do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, que chegou a freqüentar seminário na juventude. Carvalho e até o chefe da Segurança do presidente, general Gonçalves Dias, beijaram a mão do papa em São Paulo, e demonstraram bastante emoção.
Publicidade
Alguns dizem que o assassino do médico não é o único culpado
Médica acusada de quase 10 mil abortos irá a júri no Mato Grosso do Sul