10/05 - 23:42 - Luiz Raatz, repórter Último Segundo
SÃO PAULO – “Não ao aborto, sim à vida!”. O grito de 30 mil pessoas ecoou três vezes pelo estádio do Pacaembu. Os jovens católicos marcaram sua posição de forma bem clara durante o encontro com o papa Bento 16 nesta quinta-feira na capital paulista. A maioria deles diz seguir a orientação da Igreja em temas polêmicos, como o aborto, o uso de preservativos, pesquisa com células embrionárias e eutanásia.
“A gente segue a doutrina da Igreja, mas muitas vezes somos vistos como caretas”, explica a estudante de jornalismo Monica Oliveira, de 15 anos. Ela veio com amigas do grupo de jovens de uma paróquia no Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, onde moram. “Nossa missão é evangelizar e tentar tirar os jovens pobres da criminalidade”, diz.
Jovens de outros países da América Latina também parecem ser firmes em seguir a orientação da Igreja. Os argentinos Francesco Tezanos e Javier Miguens afirmam que, em questões morais só praticam o que a Igreja recomenda. “Somos contra o aborto, e a favor da vida”, diz Francesco.
No entanto, alguns deles reconhecem que o tema é delicado e que nem sempre é possível seguir 100% a orientação papal. A estudante de turismo Larissa Daroz tem 19 anos e trabalhou como voluntária no Pacaembu. Ela faz parte do movimento Regno Christ, que reúne a juventude católica em todo o mundo. Mas se diz a favor do uso de preservativos para proteção de doenças sexualmente transmissíveis.
"Como prevenção funciona. O que não pode é dar um monte de camisinha para o pessoal da oitava série que eles vão achar que é festa”,argumenta. Já sua amiga Vanessa Sene, de 15 anos, é mais radical. Defende a abstinência sexual como prevenção das DSTs. “É o único jeito”, diz.
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