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De papamóvel, Bento 16 chega ao mosteiro, abençoa fiéis e fala de Frei Galvão

09/05 - 15:04 , atualizada às 20:33 09/05 - Carolina Ribeiro, repórter Último Segundo

SÃO PAULO - Um papa bastante receptivo abençoou, nesta quarta-feira, a população que estava em frente ao Mosteiro de São Bento, localizado na região central de São Paulo. "Obrigado, obrigado", disse o papa, que estava bastante animado, apesar da viagem de aproximadamente 9h.

Da sacada, o papa ainda lembrou a canonização de Frei Galvão - sendo muito aplaudido pela população, que o aguardava desde a madrugada de terça-feira. "A canonização do Frei Galvão e a inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho serão marcos históricos para a Igreja. Conto com vocês e com suas orações", afirmou, antecipando os eventos dos quais participará.

"Esta acolhida tão calorosa comove o papa! Obrigado, por terem querido aguardar-me. Estes dias para todos vocês e para a Igreja estarão cheios de emoções e de alegrias", disse o pontífice

Segundo informações da Polícia Militar, cerca de 20 mil pessoas estavam no local. Não estava previsto um discurso do papa no local, mas Bento 16 surpreendeu (e agradou) apesar de a aparição ter durado cerca de três minutos. A bênção à população foi a última atividade oficial do papa nesta quarta-feira.

A Polícia Militar (PM) não informou o número de policiais no local, mas sabe-se que o efetivo pode chegar a 850 homens no entorno do mosteiro. Cerca de 10 mil homens foram mobilizados para garantir a segurança do Papa. Cerca de 3.500 jornalistas estão acompanhando a visita.

AE

Conheça o Mosteiro de São Bento

O Mosteiro de São Bento recebe um papa, pela primeira vez, em mais um capítulo dos seus 409 anos de história. Bento 16 ficará hospedado dois dias no lar dos monges beneditinos, no centro da capital paulista, entre os dias 9 e 11 de maio. E há muito em comum entre o pontífice e seus anfitriões.

“Nada melhor do que hospedar o papa Bento no Mosteiro de São Bento”, diz o prior Dom João Evangelista. O que a princípio pode parecer um trocadilho, na verdade não é. Cada papa escolhe o nome que adota no pontificado e o então cardeal Joseph Ratzinger adotou Bento em homenagem ao santo que viveu no século V da era cristã e fundou a ordem dos beneditinos.

Ao redor dela, estruturou-se boa parte do conhecimento da Idade Moderna, conta o prior. As primeiras universidades, estudos de filosofia e até a invenção da cerveja moderna é atribuída aos discípulos de Bento. Quando o teólogo e guardião da doutrina da fé, Joseph Ratzinger, tornou-se papa fez uma menção a essa herança cultural e social dos beneditinos. “Vivemos um auge que já é declínio. A civilização ocidental se ergue por meio da cultura”, argumenta D. João.

Além da referência teológica, Bento 16 se sentirá um pouco mais perto de sua terra natal, a Alemanha. Os monges do mosteiro são de origem alemã e muito da decoração do local vem de lá. Algumas das obras que vão decorar o quarto do pontífice e mesmo a pintura do ambiente pertencem ao estilo beuroniano, característico do sul alemão. Entre eles está uma imagem de Santa Gertrudes, datada do século VIII da era Cristã.

A simplicidade será a marca da passagem do papa pelo Brasil. Segundo D. João, o Vaticano fez exigências mínimas para aprovar o mosteiro.  O aposento terá um quarto com banheiro, um escritório e uma sala para audiências. Outras 11 pessoas da comitiva de Bento 16 ficarão lá também. Cinco delas são seguranças. O secretário pessoal do papa, o coordenador da visita ao Brasil e o cardeal arcebispo de São Paulo, D. Odílio Sherer, também se hospedarão em alguns dos 15 quartos do primeiro andar do mosteiro disponibilizados para a visita.

(* com informações da Agência Estado)





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