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12:23
, atualizada às 11:22 11/05 -
Luiz Raatz, repórter Último Segundo
O frei franciscano Antônio de Sant’Anna Galvão viveu no Brasil durante o período colonial. Nascido em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, em 1739, era filho de uma família rica da província de São Paulo. Morreu em São Paulo, em 1822.
Ainda menino, Galvão estudou no Colégio de Belém, na Bahia, na época comandado pelos jesuítas, entre 1752 e 1756. Queria se tornar jesuíta, mas devido à perseguição imposta à ordem pelo Marquês de Pombal, em Portugal, seguiu o conselho de seu pai e aderiu aos franciscanos.
Foi ordenado padre em 1762 e veio para São Paulo para morar no Convento de São Francisco. Lá, foi pregador e confessor. O frei ouvia as confissões das irmãs do Recolhimento de Santa Teresa. Assim, conheceu a irmã Helena do Espírito Santo. Esta religiosa era conhecida por ter visões nas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento.
Frei Galvão acreditou nas visões da irmã e, em 2 de fevereiro de 1774, fundou a instituição religiosa. O franciscano teve que enfrentar problemas políticos por causa da oposição do capitão da província de São Paulo ao projeto. Ao total, a construção do Recolhimento – que se transformou no Mosteiro da Luz– durou 28 anos. “Ele construiu o prédio junto com os escravos, com as próprias mãos, por isso é padroeiro da construção civil”, diz o secretário do museu frei Galvão, Tom Maia, que ao lado da mulher, Tereza, descende da família do santo.
O primeiro santo brasileiro construiu sua reputação com viagens por toda a província a pé, onde pregava e atendia as pessoas. Nessa época começaram os rumores sobre os fenômenos místicos que o cercavam. Os fiéis acreditam que o frei levitava e era capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo (bilocação).
“São muitas as histórias. Dizia-se que ele ajudou uma mulher no parto, em São Paulo, enquanto estava viajando pelo interior e que intercedeu por um senhor de escravos, em Jaú, enquanto rezava em São Paulo”, conta Maia.
O franciscano era procurado frequentemente para curar as pessoas. Em certa ocasião, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim que dizia: "depois do parto, Ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercede por nós!". Enrolou o papel em forma de pílula e deu a um jovem que sofria fortes cólicas renais.
Imediatamente cessaram as dores e ele expeliu um grande cálculo. Logo veio um senhor pedindo orações e um 'remédio' para a mulher que estava sofrendo em trabalho de parto. Frei Galvão fez novamente uma pilulazinha e a criança nasceu rapidamente. A partir daí teve que ensinar as irmãs do recolhimento a confeccionar as pílulas e dar às pessoas necessitadas, o que elas fazem até hoje. São as famosas pílulas do Frei Galvão.
Em São Paulo, centenas de peregrinos visitam o túmulo de Frei Galvão e fazem pedidos de cura. Em 1997, tornou-se o primeiro beato brasileiro e, agora, será canonizado como o primeiro santo nascido no Brasil.
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