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Fathi Natur Ramala, 10 ago (EFE).- Os palestinos choram hoje a morte de Mahmoud Darwish, considerado o poeta nacional e referência da literatura de resistência, no primeiro dia de luto oficial decretado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Os restos mortais do escritor serão enterrados na próxima terça-feira na cidade cisjordaniana de Ramala, onde Darwish morava desde 1995, segundo Yasser Abed Rabbo, dirigente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

No entanto, não se descarta a possibilidade de o sepultamento acontecer na aldeia natal do poeta, Al-Birwa, atualmente em território israelense.

Fumante inveterado, Darwish morreu no sábado à noite aos 67 anos, devido a complicações após uma cirurgia cardíaca em um hospital de Houston (EUA).

Desde então, a televisão palestina vem emitindo obituários e lendo obras do poeta palestino mais premiado e traduzido (para 22 línguas).

Dirigentes, políticos e até grupos armados palestinos das mais variadas ideologias elogiaram Darwish, e principalmente seu compromisso com a causa palestina, seus valores humanos e a qualidade de sua poesia lírica.

"Seus escritos, idéias e criatividade manterão viva sua mensagem para esta geração e para as que estão por vir", disse Abbas, ao declarar três dias de luto.

O primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, definiu Darwish como "poeta da terra e da vida, símbolo da identidade nacional palestina e da cultura humana".

O ex-ministro e secretário-geral do partido Iniciativa Nacional Palestina, Mustafá Barghouti, ressaltou que Darwish retratou muito bem a "história moral" da Nakba (catástrofe, em árabe), termo com o qual os palestinos se referem à criação do Estado de Israel, em 1948.

A Jihad Islâmica, na Faixa de Gaza, também lamentou em comunicado esta "grande perda para o povo e a cultura palestinos".

As reações mostram que Darwish era, para os palestinos, muito mais que um criador importante, mas "seu poeta", que expressou em palavras a saudade da terra perdida e o orgulho em contraposição à ocupação israelense.

Darwish nasceu em 1941 em Al-Birwa, um povoado da Galiléia que sua família foi obrigada a abandonar para fugir ao Líbano, quando ele tinha apenas sete anos.

A localidade foi destruída na guerra ocorrida após a criação do Estado de Israel e que marcou o início de uma perseguição política sofrida até hoje por 4 milhões de palestinos.

Este exílio forçado marcou toda sua obra e compromisso político.

Seus poemas mais conhecidos, como, por exemplo, "Bed of the Stranger" ("Cama do Estranho") e "Stage of Siege" ("Estado de Sítio"), se transformaram em hinos literários palestinos.

Após retornar do Líbano com a família, Darwish morou em várias regiões palestinas e foi preso várias vezes pelas autoridades israelenses por causa de seus escritos e de sua atividade política contra a ocupação.

Com 22 anos, publicou "Leaves of Olives" ("Folhas de Oliveiras"), o primeiro dos 20 livros de poesia que escreveu, junto a outros cinco de prosa.

Em 1970, foi mais uma vez obrigado a abandonar sua terra e a se exilar, primeiro em Moscou, e depois em várias capitais árabes, até chegar a Ramala.

Darwish fez parte do comitê executivo da OLP, cargo ao qual renunciou em protesto contra os Acordos de Oslo, em 1993.

Foi o autor da Declaração da Independência Palestina, em 1988, o que lhe valeu, junto com sua obra em defesa da liberdade e de sua terra, a alcunha de "poeta da resistência", apesar de também ter escrito sobre a vida e o amor.

Em Israel, seu nome também despertava sentimentos. Até o ex-primeiro-ministro Yitzhak Shamir leu um dos poemas de Darwish no Parlamento para defender que os palestinos rejeitam viver com os judeus.

Em 2000, o então primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, recusou uma proposta do ministro de Educação, Yossi Sarid, para incluir o estudo de Darwish no plano de estudo do ensino médio.

Darwish foi o poeta palestino mais reconhecido no exterior, e recebeu a medalha de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, da França, em 1997, e os prêmios Lotus (1969) e Lenin (1983), entre outros.

Casado e divorciado duas vezes, não deixou filhos. EFE fn/fh/an