Palácio da Aclamação abre mostra de Carlito Carvalhosa

A arte contemporânea invadiu o palácio. Já no suntuoso hall de entrada, uma árvore aroeira brota no ar e se mantém suspensa e frondosa.

Agência Estado |

É só o começo. Quando o visitante chegar ao salão de banquete, vai encontrar cinco postes gigantescos de madeira cruzando a sala de ponta a ponta. E a aventura palaciana não para por aí. A partir de hoje, o Palácio da Aclamação, em Salvador, construção do século 19, abriga uma série de ações escultóricas do artista Carlito Carvalhosa. Monumentalidade e poética a serviço de dar um 'giro na percepção' das pessoas.

Com afrescos, lustres de cristal e decoração que remetem ao 'sonho da burguesia', o Palácio da Aclamação foi durante 55 anos a residência oficial dos governadores da Bahia, transferida em 1967 para o imóvel Alto de Ondina. Desde então, o edifício de luxo foi usado para hospedar personalidades - entre elas, em 1968, a Rainha Elizabeth II da Inglaterra. Como espaço museológico e histórico, pode ser visitado pelo público.

Seguindo o Roteiro para Visitação - título da exposição que Carvalhosa inaugura às 19 horas - o público vai poder conhecer ainda um inusitado salão de baile sem espaço para bailar: o artista encheu a área com 220 toras, transformando-a num labirinto de peças encravadas. "O edifício já é uma invasão - uma verdade europeia trazida para um lugar tropical. Pensei que se eu colocasse coisas dentro do prédio entraria no espírito dessa invasão", diz o artista. "Mas tenho a impressão de que, se esses elementos ficassem aqui por mais tempo, poderiam se transformar em habitantes naturais do prédio. É uma experiência que lida com a memória de outra forma", continua Carlito.

A mostra faz parte do Programa Ocupas do Departamento de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac), que ainda vai contemplar este ano ações dos artistas Eder Santos e Caetano Dias (antes deles, ocorreram mostras de Cildo Meireles e de José Rufino).

Pinacoteca

Se por um lado a ação de Carlito até 27 de junho no Palácio da Aclamação tem um caráter até violento, sua próxima mostra em São Paulo, a partir de 31 de julho na Pinacoteca, vai lidar com a percepção pela leveza, por meio de tecidos e música - e com a colaboração do compositor americano Philip Glass, que conheceu no Rio na década de 1990. Será um labirinto duplo em espirais com panos TNT (opacos) e alto-falantes no octógono do museu. "As pessoas vão ouvir sem ver e terão de chegar cada vez mais perto para escutar realmente os sons", conta Carlito. Nos dias 2 e 3 de agosto, Glass estará na Pinacoteca para executar ao vivo suas composições. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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