País tem 694 casos de H1N1 e se preocupa com epidemia argentina

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil confirmou 14 novos casos de gripe H1N1 nesta quarta-feira e o total de infectados pela doença no país subiu para 694, informou o Ministério da Saúde, que pediu informações à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) sobre a epidemia do vírus na Argentina. O governo está preocupado com o alto índice de letalidade no país vizinho, onde a gripe H1N1 já matou entre 43 e 44 pessoas, de acordo com o novo ministro da Saúde, Juan Manzur.

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"Isso pode estar relacionado ao período de inverno, como nos outros países do Hemisfério Sul. A diferença é em relação a essa letalidade (na Argentina) e nós não temos muitas informações sobre o que tem gerado essa alta letalidade", disse à Reuters o diretor de Vigilância Epidemiológica do ministério, Eduardo Hage.

Hage não acredita que o vírus tenha sofrido uma mutação na Argentina, tornando-o mais resistente.

"Não há nenhuma evidência laboratorial que tenha constatado mutação do vírus. Como o laboratório da Argentina é vinculado à rede mundial (da Organização Mundial da Saúde), já teria sido dado conhecimento à Opas, à OMS, bem como à rede mundial de vigilância (da qual o Brasil faz parte)", afirmou Hage.

"O Ministério da Saúde não acredita que seja uma hipótese viável."

Sobre os impactos da disseminação do vírus H1N1 para o setor turístico, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, afirmou que a recomendação do Ministério da Saúde para adiar viagens às áreas com circulação sustentada da doença é uma medida preventiva e não restritiva.

"Não existe uma proibição, e sim uma orientação do Ministério da Saúde. A sugestão é para que grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e imunodeprimidos, optem por postergar seu passeio", disse Barretto.

A Argentina, um dos destinos mais populares entre brasileiros, é o terceiro país com maior quantidade de mortos pela nova gripe em todo o mundo, atrás de México e Estados Unidos, e seus principais distritos, inclusive Buenos Aires, declararam emergência sanitária esta semana devido à doença.

Dos casos registrados no Brasil, 269 pacientes contraíram a doença na Argentina, que é um dos países onde a transmissão do vírus é considerada sustentada pela OMS. EUA, México, Canadá, Chile, Austrália e Reino Unido também apresentam propagação sustentada da doença, segundo a entidade.

O Brasil registrou a primeira morte pela gripe H1N1 no domingo e há dois casos considerados graves.

No Rio Grande do Sul, ainda é crítico o estado de saúde de uma paciente de 14 anos internada há 10 dias na UTI de um hospital em Santa Maria. Ela está em coma induzido sem previsão de alta, segundo o hospital.

Em Belo Horizonte, também é grave a condição de um paciente de 27 anos hospitalizado desde segunda-feira. Ele apresenta "quadro respiratório muito grave" e respira com ajuda de aparelhos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais.

Há ainda 1.049 casos considerados suspeitos no país e outros 1.041 foram descartados, segundo nota do Ministério da Saúde.

(Por Hugo Bachega e Fabio Murakawa)

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