País tem 1 milhão de abortos ilegais por ano, diz estudo

Levantamento do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) mostra que o País tem, por ano, 250 mil internações de mulheres em conseqüência de abortos ilegais. A quantidade leva ao cálculo de aproximadamente 1 milhão de abortos feitos no Brasil por ano.

Agência Estado |

    Os números são parte da pesquisa Dossiê sobre a Realidade do Aborto Inseguro em Pernambuco: o Impacto da Ilegalidade do Abortamento na Saúde das Mulheres e nos Serviços de Saúde do Recife e Petrolina , divulgado hoje.

    "Encontramos uma situação bastante dramática. Visitamos duas maternidades, que atendem mulheres que recorrem por complicações de aborto. O volume de casos nessas unidades é muito grande e, muitas vezes, comparável ao número de mulheres que chegam para ter filhos", afirmou a coordenadora do trabalho, Beatriz Galli, de acordo com a Agência Brasil.

    Beatriz afirmou que as mulheres internadas por complicações causadas por abortos são afligidas pela discriminação - às vezes, conforme ela, são postas no último lugar da espera, durante a triagem. Beatriz disse que, em Pernambuco, houve caso até mesmo de erro de diagnóstico. Uma mulher que chegou ao hospital, em Petrolina, com sangramento vaginal, mas não disse havia sido submetida a aborto, teve diagnóstico de dengue hemorrágica e depois leucemia. Em seguida, foi levada à capital pernambucana, onde morreu.

    "Depois é que se descobriu que ela tinha provocado um aborto e estava com um sangramento por conta disso. É uma situação muito grave, que mostra um descaso do Estado e o impacto da criminalização do aborto no dia-a-dia dos serviços de saúde", disse. Beatriz declarou que o assunto ainda é muito discutido no Congresso sob uma ótica religiosa, quando deveria ser abordada como uma questão de saúde pública. A coordenadora do trabalho afirmou acreditar que também não adianta continuar a tratar o tema na esfera penal.

    Deputado

    O deputado Paulo Rubens Santiago (PDT-PE), que participou das visitas a Pernambuco e da elaboração do dossiê, afirmou que a visão tão-somente penal - que criminaliza a prática - não tem impedido a realização de abortos no País. Para Santiago, descriminalizar o aborto é "dar um passo adiante" numa política de saúde, que trate as mulheres em situação de aborto como cidadãs, e não como criminosas.

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