País rastreia 1 de cada 4 armas apreendidas, diz estudo

No maior levantamento sobre o controle de armas já realizado no País, a Câmara dos Deputados e a organização não-governamental (ONG) Viva Rio chegaram a constatações preocupantes: o Brasil continua cultivando a cultura da violência, a maioria dos Estados não tem compromisso com o desarmamento e a polícia, em geral, é despreparada. A tal ponto que, de um total de 238.

Agência Estado |

311 armas apreendidas nos últimos 10 anos, só 50 mil estão em condições de serem rastreadas desde a fabricação até o momento em que caíram na ilegalidade, tamanho o descuido na apreensão e acautelamento.

O estudo, divulgado ontem pela Subcomissão de Armas e Munições da Câmara dos Deputados, também revela avanços e traz um ranking dos melhores desempenhos no controle de armas. O Distrito Federal aparece em primeiro, com elevado índice de entrega voluntária, melhor qualidade de informação, eficiência nas apreensões e cooperação com os Estados para o êxito do desarmamento. Sob o ângulo do estudo, porém, Brasília foi a "menos ruim", porque a situação nacional é sofrível. A seguir na lista vêm Rio de Janeiro e São Paulo. Na outra ponta, os piores resultados foram para os Estados de Amapá, Sergipe, Amazonas, Roraima, Santa Catarina e Minas Gerais.

O ranking comparou o desempenho na análise das cerca de 238 mil armas apreendidas no País nos últimos dez anos. "No geral, os governos estaduais não dão prioridade ao controle, falta consciência da relação direta entre a posse de armas e a violência urbana", lamentou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da subcomissão, que coordenou o estudo em parceria com a ONG.

Com uma média de 40 mil assassinatos ao ano, o Brasil é, segundo a Viva Rio, campeão mundial de mortes por armas de fogo. "Temos índices que superam até mesmo países em guerra civil", observou Antônio Rangel Bandeira, coordenador da ONG. "O descontrole das armas é a marca da segurança pública do Brasil", enfatizou.

O estudo estima que existam no País 17,6 milhões de armas de fogo em circulação, das quais 10,1 milhões em situação ilegal. Dessas, 6 milhões seriam usadas pelo crime organizado e 4 milhões estariam em mãos de cidadãos comuns, mas sem registro. Apenas 2 milhões estão em poder da segurança pública e das forças armadas, além dos profissionais de segurança privada. O levantamento é parcial e a conclusão está prevista para fevereiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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