País gerou 483 mil empregos com carteira assinada em 2009

Qualidade do mercado de trabalho e renda dos trabalhadores cresceram mais do que no ano anterior à crise, segundo a Pnad

Sabrina Lorenzi, iG Rio Janeiro |

A crise provocou aumento na taxa de desemprego, mas não sepultou avanços na qualidade do mercado de trabalho. O emprego com carteira assinada continuou crescendo em 2009, assim como o rendimento dos trabalhadores, segundo mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta quarta-feira.

A pesquisa contabiliza 32,3 milhões de empregados com carteira assinada em 2009, num aumento de 1,5% no emprego formal em relação a 2008. A fatia equivale à entrada de 483 mil trabalhadores com carteira assinada no mercado de trabalho. Desde 2004, segundo o IBGE, o total de empregos cresceu 16,7%, enquanto o emprego formal aumentou ainda mais: 26,6%.

“Observamos a partir da Pnad que todo esse desmanche da crise financeira não foi suficiente para atrapalhar o avanço na qualidade do emprego”, afirma Cimar Azeredo, gerente da pesquisa.

O IBGE contou no ano passado 92,7 milhões de pessoas ocupadas, um aumento de 0,3% em relação ao total de 2008. Apesar do aumento da população ocupada, houve diminuição do nível de ocupação (de 57,5% para 56,9%), pois a oferta de emprego não acompanhou o crescimento da população em idade ativa. O nível de ocupação só não recuou no Centro-Oeste. Segundo o IBGE, a região Sul apresentou o maior patamar de ocupados, com 61,6% da população, enquanto o Nordeste (54,4%), o menor.

Entre os 54,3 milhões de empregados contabilizados pelo IBGE, 59,6% tinham carteira de trabalho assinada, 12,2% eram militares e estatutários e 28,2% não tinham carteira de trabalho assinada. A participação dos trabalhadores com carteira entre os empregados cresceu de 54,9% para 59,6%, entre 2004 e 2009, enquanto a dos sem carteira caiu de 33,1% para 28,2%.

Renda cresce mais do que no ano anterior à crise

Também contrariando o efeito do aumento do desemprego, a renda do trabalhador brasileiro cresceu mais em 2009 do que em 2008, quando a crise ainda não era capturada pela Pnad. O rendimento médio mensal do trabalho cresceu 2,2% entre 2008 e 2009, de R$ 1.082 para R$ 1.106.

De acordo com a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Márcia Quintslr, a melhor qualidade do trabalho, com maior número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada, proporcionou a melhora no bolso dos brasileiros.

“Não me espanta que a renda tenha crescido mesmo com a crise. Para desarrumar o mercado de trabalho, teria de haver uma baita de uma crise, o que não aconteceu”, resume Azeredo.

No quarto ano consecutivo de alta, a renda dos brasileiros acumulou ganho de 20%. A taxa de crescimento do ano passado em relação a 2008, segundo o IBGE, supera a verificada entre 2007 e 2008, de 1,7%, mas é inferior à alcançada no período entre 2006 e 2007, quando a renda crescera 3,1%. Entre 2005 e 2006, o rendimento saltara 7,2%.

A renda cresceu mais na região Norte, justamente onde houve maior crescimento do desemprego (4,4% - R$ 921). Nas demais regiões, as taxas de variação da renda foram: Sul (3% - R$ 1.251), Nordeste (2,7% - R$ 734) e Sudeste (2,0% - R$ 1255) e Centro-Oeste (-0,6% - R$ 1.309).

Desigualdade recua mais com programas sociais

A desigualdade de renda entre ricos e pobres diminuiu entre 2008 e 2009, dando continuidade ao processo de desconcentração das riquezas iniciado no início da década. Esse processo ocorre tanto na renda do trabalho quanto na renda total obtida pelas famílias brasileiras, mas o avanço observado na renda domiciliar, que inclui transferências governamentais – inclusive programas sociais como o Bolsa-Família – é maior do que a redução da desigualdade no rendimento do trabalho.

O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na renda de ricos e pobres, passou de 0,521 para 0,518 (quanto mais próximo de 0, mais igualitária a distribuição do rendimento) no que se refere à renda do trabalho. Já no que tange à renda de todas as fontes pela família, o indicador recuou de 0,514 para 0,509.

Em 2009, o rendimento médio domiciliar ficou em R$ 2.085, 1,5% a mais que os R$ 2.055 obtidos em 2008. Entre 2004 e 2009, o aumento acumulado somou 19,3%. O índice de Gini recuou de 0,514 para 0,509.

    Leia tudo sobre: Pnaddesempregotrabalhorenda

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG