País economizaria com introdução de vacina pneumocócica no calendário

País economizaria com introdução de vacina pneumocócica no calendário Por Marcela Spinosa São Paulo, 15 (AE) - A cada duas horas e 39 minutos, uma criança com menos de cinco anos poderia ser salva se tivesse tomado a vacina contra as chamadas doenças pneumocócicas. A dose, porém, só é oferecida pelo Ministério da Saúde a crianças com diabetes, asma, síndrome de Down e bebês prematuros.

Agência Estado |

Enquanto a vacina que previne as complicações da doença, como otite e pneumonia, não é incluída no Calendário Nacional de Imunização, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta, por ano, R$ 69.500 milhões para tratá-las.

Os dados apresentados fazem parte do estudo Pneumococo Avaliação Econômica (PAE)realizado por oito pesquisadores e consultores de universidades e entidades como a Unifesp, Sociedade Brasileira de Pediatria e Organização Pan-Americana de Saúde. "O custo-efeito da introdução da vacina Pneumocócica Conjugada 7-Valente no calendário vacinal é alto. O Brasil economizaria por ano R$ 58 milhões para tratar as complicações da doença", disse a coordenadora do estudo, Gláucia Vespa.

As doenças pneumocócicas são causadas pela bactéria Streptococcus pneumonie - pneumococo - com 90 sorotipos diferentes que se instalam no nariz e garganta e podem provocar doenças crônicas graves, como pneumonia, meningite, otite média (inflamação no ouvido que pode deixar seqüelas como surdez) e bacteremia (infecção por bactérias no sangue). As mais afetadas são as crianças porque elas ainda não desenvolveram anticorpos para combater a doença. A vacina pneumocócia 7-Valente combate sete dos 90 sorotipos da bactéria.

O PAE revelou que mais de 20 mil crianças com menos de cinco anos morrem todo ano no Brasil por causa das doenças. A bactéria causa anualmente 521 mil novos casos de pneumonia no Brasil e mais de três milhões casos de otite. Cerca de mil casos de meningite são notificados todo ano no País. "É um problema de saúde pública" ressaltou o presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eitan Berezin.

Para reduzir o número de mortes causadas pelas doenças, a Organização Mundial de Saúde recomendou que todos os países em desenvolvimento incluam a vacina pneumocócica em seu calendário vacinal. No Brasil, a dose é oferecida na rede privada ao custo médio de R$ 200. A rede pública dispõe da vacina para crianças com necessidades especiais em 39 Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais espalhados pelo País. O único país em desenvolvimento que distribui a dose no sistema público de saúde é a Costa Rica. "A recomendação aos pais é que vacinem os filhos contra o pneumococo", aconselhou o pediatra José Geraldo Leite.

Como as doenças pneumocócicas são transmitidas pelo ar, cada criança imunizada também deixaria de contaminar outras duas pessoas. Os especialistas recomendam que a criança tome quatro doses da vacina: aos dois, quatro, seis meses e a última aos dois anos. Além da vacina 7-Valente, a SBP pediu ao Ministério da Saúde que inclua no calendário vacinal as doses contra varicela, hepatite A e da meningite meningocócica (mais grave que a meningite pneumocócica).

Os Estados Unidos introduziram a vacina 7-Valente em seu calendário de imunização em 2001. Cinco anos depois foi constatada uma redução de 98% das doenças pneumocócicas em crianças e 73% nos idosos. A indústria farmacêutica Wyeth, que patrocinou o estudo, é a única que produz a vacina 7-Valente, e distribui a dose para mais de 16 países.

Boxe: EM NÚMEROS
20 mil crianças menores de cinco anos morrem anualmente por causa de pneumonia e meningite;
58 milhões é a economia que o SUS teria se oferecesse a vacina no calendário de imunização;

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