Pais e testemunhas criticam atuação da polícia de Catanduva

CATANDUVA - As quatro primeiras testemunhas que prestaram depoimento na audiência pública realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia em Catanduva (SP) criticaram o trabalho da Polícia Civil da cidade. Um casal de pais de supostas vítimas, um diretor de escola e o coordenador de uma organização não-governamental (ONG) afirmaram que a polícia foi omissa com relação às suspeitas de existência de uma rede de pedofilia na cidade.

Agência Brasil |

A sessão de depoimentos foi aberta nesta quarta-feira por volta das 11h. Geraldo Correa, da ONG Instituto Pró-Vida, foi o primeiro a ser ouvido. Aos senadores Magno Malta (PR-ES), Romeu Tuma (PTB-SP) e José Nery (Psol-PA), Correa afirmou que foi procurado em fevereiro por mães de supostas vítimas que não estavam satisfeitas com a apuração da polícia sobre as suspeitas.

Emocionado, Correa disse que procurou várias autoridades de Catanduva, mas que nenhuma deu a devida atenção às denúncias. No momento das denúncias, fiquei sozinho. Aqueles que deveriam estar com o controle da situação não estavam, afirmou ele, citando também falhas do Conselho Tutelar e do Ministério Público.

O pai e a mãe de duas supostas vítimas, ambas com menos de dez anos de idade, prestaram depoimento usando capuz para não serem identificados e não pouparam críticas. Fui procurar a delegada [Maria Cecília Sanches] e ela falou que era normal, disse a mulher, reclamando de omissão da polícia.

Todos que deveriam ter uma atitude, colocaram um obstáculo, complementou seu marido, criticando também o Conselho Tutelar do município.

Edmilson Sidney Marques, diretor da escola em que estudam a maioria das crianças supostamente vítimas de abusos sexuais, enumerou falhas em dois inquéritos policiais abertos para apuração das denúncias. Ele afirmou que recomendou às mães que procurassem a polícia para relatar os abusos e prestar queixas, mas a polícia pouco fez.

As mães vinham me contar e eu ficava tranquilo, pois achava que procurar a polícia era o mais adequado a fazer. Porém, a cada dia, eu ia percebendo que era o contrário, disse Marques.

A delegada Maria Cecília Sanches depôs também hoje à CPI e disse que não considerou normal as suspeitas das mães e por isso abriu uma investigação sobre o assunto.

Já a delegada Rosava da Silva Vani, que presidiu o segundo inquérito, admitiu aos senadores que cometeu erros graves em sua investigação.

Representantes do Conselho Tutelar e do Ministério Público também devem depor na audiência pública em Catanduva. Até sexta-feira, senadores estarão na cidade investigando o caso.

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