Pais de Gabriel reiteram à polícia negligência de creche na morte do filho

SÃO PAULO ¿ O casal Júlio Cezar Ribeiro e Josefa Lidiane, pais do bebê Gabriel que morreu após ter tido uma parada cardiorrespiratória, reiterou em depoimento à policia que a creche foi negligente com a saúde de Gabriel. Os dois prestaram depoimento, nesta terça-feira, ao delegado do 90º Distrito Policial, Sérgio Alves, que investiga a morte do bebê.

Lívia Machado, do Último Segundo |

A criança morreu, por volta das 12h da última sexta-feira, após ter almoçado. Segundo Júlio Cesar, a creche sabia do problema de refluxo da criança e não foi cuidadosa. "A funcionária Amanda sabia que ele tinha refluxo, eles foram avisados", disse.

O pai rebate as informações dadas pela proprietária da creche, Suzana Leão, de que a ficha médica não havia sido entregue. De acordo com ele, a ficha foi preenchida e entregue à direção da escolinha. Visivelmente abalado Júlio Cezar desabafou: "paguei para olharem meu filho e nem isso eles fizeram"

Mario Ângelo/ AE
Bebê morreu aos sete meses

Delegado pede cautela

O delegado Sérgio Alves diz que é preciso cautela antes de qualquer avaliação. Temos de esperar o exame necroscópico chegar. O documento, segundo ele, fica pronto em no máximo 30 trinta dias.

Na segunda-feira, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) pediu que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria da Infância e Juventude, também ajudem nas investigações.

Segundo a assessoria do Ministério Público, uma reunião será feita com os promotores da Infância e Juventude para definir as ações a serem tomadas. Uma vistoria deve ser feita na creche para verificar se há irregularidades no local.

O depoimento do médico que atendeu Gabriel, previsto para hoje, foi adiado para quinta-feira. Amanhã, estão previstos os depoimentos dos responsáveis pela creche, inclusive Suzana, a proprietária.

Versões para o caso

Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava bem de saúde. Segundo a mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava feliz, contente e sem nenhuma doença.

AE
Familiares do bebê Gabriel protestam em frente à creche

A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.

"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. ( leia a íntegra )

Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.

De acordo com a família, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.

A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com Gabriel "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a creche informou que comunicou ao Corpo de Bombeiros e reiterou que a morte da criança foi uma fatalidade.

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