Painel do clima continua confiável, dizem especialistas

Pesquisadores avaliam que a reputação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) não ficará arranhada após o grupo de cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) ter admitido que a advertência de que as geleiras do Himalaia podem desaparecer até 2035 está mal fundamentada cientificamente. O IPCC assumiu na quarta-feira que os procedimentos-padrão estabelecidos para a realização de seus relatórios não foram seguidos no caso.

Agência Estado |

"Ao escrevermos o parágrafo em questão, os padrões claros e bem estabelecidos de evidências, exigidos pelos procedimentos do IPCC, não foram aplicados corretamente", disse. O órgão não informou qual seria a data correta para a perda do glaciar.

Na opinião de Graham Cogley, professor de Geografia na Universidade Trent, no Canadá, e um dos pesquisadores que trouxeram o erro à tona, o impacto negativo para o IPCC será pequeno. "Quem é cético com relação ao aquecimento global continuará cético e quem acredita nas mudanças climáticas vai aceitar o argumento de que isso é uma parte pequena do quadro, metade de uma página de um total de 3 mil", afirmou.

Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que participou da elaboração do quarto relatório do painel, divulgado em 2007, considera, de modo geral, não ser muito significativo ter uma sentença que não seguiu estritamente os procedimentos do IPCC.

O físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), também um dos autores do quarto relatório, tem a mesma opinião. E lembra que "faz parte do método científico revisar dados". O IPCC não produz pesquisas, mas compila informações de estudos existentes e adota o chamado peer review, ou seja, a revisão pelos pares. Do último relatório, participaram 1,3 mil cientistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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