SÃO PAULO - O pai de Isabella Nardoni, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, indiciados por homicídio triplamente qualificado, sempre alegaram, desde o início do caso, que são inocentes da acusação de participação no assassinato da menina.

Cinco dias após o crime, os dois divulgaram para a imprensa duas cartas onde se diziam inocentes e muito abalados pela tragédia familiar que estavam envolvidos. Já no dia 20 de abril, em sua única entrevista desde a morte de Isabella, o casal falou ao programa Fantástico e disse acreditar que uma terceira pessoa teria matado a menina, que foi jogada pela janela do apartamento de seu pai no último dia 29 de março.

"Somos totalmente inocentes", disse Anna Carolina emocionada. "Nunca encostei um dedo na minha filha", argumentou Alexandre. Segundo ele, sua esposa "era uma segunda mãe" para Isabella.

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Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá falam pela primeira vez após morte de Isabella
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá
falam pela 1º vez após morte de Isabella
Alexandre Nardoni disse ainda não entender o que fizeram com sua filha. "Passamos muitos momentos marcantes com a Isa, não consigo acreditar que fizeram isto com ela. Não entra na minha cabeça como fizeram uma coisa destas com uma criança, não entra, não consigo entender".

O pai de Isabella pediu à população que denuncie se tiverem conhecimento de algum suspeito. Queremos que a verdade apareça. É o que eu peço todos os dias para Deus, que apareça o culpado, completou Ana Carolina.

O casal contou que sempre foi uma família unida e que Isabella fazia parte deste núcleo de união. Meus filhos sempre foram tudo na minha vida, disse Alexandre emocionado.

Foi a primeira vez que eles conversaram com a imprensa após a morte da menina. O casal chegou a ter prisão temporária decretada no início do inquérito e ficou preso por oito dias.

Ana Carolina disse que sempre considerou Isabella como sua filha e que a tratava ela e seus dois filhos da mesma maneira. "O meu amor por ela era uma coisa inexplicável".

De acordo com a madrasta, Isabella era uma criança muito educada e se comportava quase como uma adulta. "Ela não dava trabalho para nada". Ana Carolina disse ainda que a menina havia perguntado se podia ir morar com eles no novo apartamento. "Ela perguntou 'tia carol, eu posso vir morar com vcs?' Ela queria um quarto lilás, fizemos um quarto lilás, decoramos do jeitinho que ela quis", relatou.

Sobre as brigas que os vizinhos relataram que ouviram Alexandre afirmou, "isto não existe. Brigas todo casal tem, mas não do jeito que estão veiculando na mídia. Discutíamos como pessoas normais. Tínhamos briga de casal normal". Segundo Ana Carolina, eles nem nunca tinham brigado no novo apartamento. "Vivíamos em total harmonia". 

Alexandre contou ter feito uma promessa sobre o caixão da filha. "Disse para ela 'filha, o papai não vai se sossegar enquanto não encontrar o assassino qeu fez isto com você'". O pai de Isabella disse ainda ter sentido seu mundo acabar quando soube da notícia da morte da filha. "Quando a médica falou 'sua filha faleceu', o meu mundo acabou, naquela hora eu queria ter morrido junto".

Os próximos passos

O inquérito da morte de Isabella foi entregue no Fórum de Santana, na manhã da última quarta-feira, por dois policiais do 9º DP, em carro do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Após analisar o caso, o promotor Cembranelli terá 15 dias para apresentar ou não a denúncia à Justiça contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, principais suspeitos pelo crime. Sendo apresentada, um juiz aceita ou não a denúncia e começa o processo judicial.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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