Pai denuncia sumiço do corpo do filho no IML de Maceió

O auxiliar de perícia do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), Sebastião Pereira, 68 anos, denunciou nesta segunda-feira em entrevista à imprensa o sumiço do corpo do seu filho, Carlos Roberto Rocha Santos (Beto), do Instituto Médico Legal de Maceió, onde deu entrada no dia 12 de maio de 2004, assassinado com 21 tiros.

Agência Estado |

"Na próxima semana vai fazer quatro anos que procuro o corpo do meu filho, para fazer o sepultamento e até agora nada. Pelo menos, já sei que o corpo dele passou pelo IML, depois de ter sido assassinado a tiros", afirmou Sebastião, que abandonou o Programa Nacional de Proteção a Testemunha, para encontrar os restos mortais do filho.

Segundo o servidor do Detran, Beto foi seqüestrado 1h15 da madrugada do dia 12 de maio de 2004, quando estava de serviço como vigilante em um dos conjuntos habitacionais controlado pelo ex-deputado estadual Cabo Luiz Pedro (PMN), que está preso, acusado de participação no crime, desde o início do ano.

"O corpo do Beto foi encontrado em uma estrada, por volta das 2 horas da mesma madrugada em que foi seqüestrado. Meia hora depois, o corpo dele deu entrada no IML de Maceió e ficou na geladeira até 27 de maio, quando foi supostamente sepultado como indigente, sem o conhecimento da nossa família", relata seu Sebastião.

Ele disse que ficou sabendo do sumiço do corpo do filho por meio de uma promotora de Justiça, Marluce Falcão, que integra o Grupo Estadual de Combate as Organizações Criminosas (Gecoc). Segundo ele, foi a promotora quem lhe forneceu uma foto do corpo do seu filho, na pedra do IML. A foto serviu para provar a materialidade do crime e foi tirada por peritos do IML e estava em poder do Centro de Perícia Forense de Alagoas, órgão ligado à Secretaria Estadual de Defesa Social.

Acusados

O ex-deputado Cabo Luiz Pedro é acusado de formação de quadrilha, seqüestro, assassinato e ocultação de cadáver. O ex-parlamentar, que também é acusado de ter contraído empréstimo bancário irregular com o aval da Assembléia Legislativa de Alagoas, nega participação no crime. No entanto, o Ministério Público Estadual, que o denunciou como mandante do crime, não tem dúvida do seu envolvimento no seqüestro e na morte de Beto, que teria sido torturado antes de ser morto.

Além do ex-deputado Luiz Pedro, estão presos como autores material do crime, Naelson Vasconcelos, Walter Paulo, Laelson Pereira, Cícero dos Santos e Leone Lima. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Defesa Social informou que a denúncia está sendo apurada e que o secretário Paulo Rubim deve se manifestar oficialmente sobre o caso.

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