O pai do soldado José Ricardo Rodrigues de Araújo, cujo nome não foi divulgado, teme pela vida de sua família. A informação é da presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio, Margarida Pressburguer, que conversou hoje com ele.

"Ele não recebeu uma ameaça direta, mas velada. Um rapaz bateu na porta da casa dele com um jornal em punho, mostrando e perguntou se o soldado Rodrigues era filho dele, o que foi confirmado. Isso assusta profundamente", disse Margarida.

O pai do soldado mora com a mulher, outros filhos pequenos, a irmã e seus sobrinhos. Segundo a presidente da comissão, eles não têm para onde ir. "Pelo que o pai falou, o soldado estava na hora errada, no lugar errado. Ele contou que o tenente (Vinicius Ghidetti) perguntou se alguém sabia onde era o Morro da Mineira, ele sabia. Ele indicou o caminho ao motorista achando que eles estavam apenas indo deixar três rapazes em sua casa. Quando ele voltou para o Morro da Providência, onde trabalha, contou o que aconteceu a dois superiores, o sargento Rosendo e o capitão Paiva", relatou Margarida.

Segundo a advogada, a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ vai tentar dar proteção à família. Amanhã à tarde, o ministro Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) se encontrará com os moradores da Providência e ela também estará presente. "Ainda que o soldado seja culpado, a família dele não pode pagar por isso. O soldado, preso, está mais protegido do que a família. A vingança do tráfico pode ser em cima dessa família." O soldado foi indiciado hoje no inquérito da Polícia Civil e teve, também hoje, a prisão decretada pela Justiça Militar a pedido do encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM), aberto pelo Comando Militar do Leste.

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