Pai de Isabella apresentou nomes de alguns suspeitos, diz advogado

SÃO PAULO - Alexandre Nardoni, pai da menina que teria sido atirada do 6º andar de um prédio, apresentou os nomes de alguns supeitos do crime, segundo revelou seu advogado Marco Polo Levorin na tarde desta sexta-feira.

Redação |

Em entrevista à rádio CBN, o advogado afirma que Alexandre negou o envolvimento no crime e negou que tenha dito a um policial que teria visto um homem saindo de seu apartamento no dia do crime.

"Ele anotou nomes e vamos tentar levar isso para as investigações. Não são moradores, mas pessoas que poderiam ter entrado no prédio", disse. Segundo Marco Polo, Alexandre está bem fisicamente, mas muito preocupado com a família.

Promotor vê contradições

O promotor Franscico José Taddei Cembranelli, responsável pelas investigações sobre a morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, afirmou que algumas das declarações dadas pelo casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá são "fantasiosas". Cembranelli participou, nesta sexta-feira, de entrevista coletiva no Ministério Público de São Paulo.

O promotor afirmou que os depoimentos do casal têm muitos trechos difíceis de serem concretizados. "Precisamos apurar tudo, mas existem testemunhas que divergem das informações prestadas por eles", disse.

Para o Ministério Público, existem contradições relacionadas, principalmente, à seqüência dos fatos e ao horário em que Nardoni e Anna Carolina teriam subido ao apartamento. Ele citou como exemplo o fato de que Nardoni teria dito aos moradores, logo após a queda da criança, que a porta do apartamento estava arrombada e que existia um ladrão no edifício. "No depoimento, porém, ele não contou nada sobre a porta estar arrombada. A polícia também realizou perícia no local e concluiu que não havia nada", afirmou.

Cembranelli reiterou que cerca de dez viaturas da polícia chegaram ao prédio e bloquearam todas as saídas. "Vinte apartamentos foram vistoriados dos 48 existentes, já que muitos estão desocupados por se tratar de um edifício novo", explicou.

Sangue no quarto dos irmãos

A origem do sangue também precisa ser melhor esclarecida, já que a perícia encontrou gotas de sangue na entrada do apartamento, no chão do quarto dos irmãos de Isabella e na tela da janela de onde a criança teria sido jogada. "O sangue era visível, tanto que o delegado notou assim que chegou, mas o pai omitiu isso no depoimento", afirmou Cembranelli.

Visita ao sogro

Em depoimento à polícia, Nardoni disse que passou o sábado na casa do sogro e chegou ao apartamento por volta das 23h30. O promotor afirmou que o porteiro do apartamento do pai de Anna Carolina ainda será ouvido para esclarecer o tempo de permanência do casal no local. "O laudo toxicólogico também vai indicar se houve a ingestão de alguma bebida alcóolica naquele dia", esclareceu.

Queda de Isabella

A primeira pessoa que viu a criança no gramado foi o porteiro. Ele teria relatado que escutou um forte barulho e quando olhou a menina já estava no chão. Um morador do primeiro andar também teria escutado um estrondo e visto Isabella da sacada. Ele teria sido um dos primeiros a acionar a polícia.

Quando o resgate chegou a criança ainda tinha sinais de vida. "Eles tentaram reanimá-la", afirmou Cembranelli, que disse ainda que o  resgate demorou 13 minutos para chegar e, neste intervalo, a menina não foi tocada. "Não houve desespero de ninguém em prestar socorro imediato", disse.

Boletim de Ocorrência

O promotor confirmou a existência de um Boletim de Ocorrência feito pela mãe biológica de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23 anos, contra Alexandre Nadorni. Ele acrescentou ainda que há outras queixas contra o casal, mas preferiu não dizer quantas são nem por quem foram realizadas, já que o caso segue em segredo de justiça.

Investigação

Para o promotor, a investigação será concluída antes do prazo final de 30 dias, já que todas as perícias já foram realizadas e denominadas as pessoas que ainda serão ouvidas. Até esta sexta-feira, 15 pessoas prestaram depoimento, entre vizinhos, moradores do prédio e famíliares da vítima. A previsão é de que até o final da investigação 45 pessoas sejam ouvidas. 

Ainda não há data marcada para o casal prestar novos depoimentos, já que o promotor acredita ser "precoce" ouvi-los novamente neste momento. A acareação entre os dois e a reconstituição do crime não foram marcadas.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado vinha afirmando que Nardoni e Anna Carolina não eram suspeitos.

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