Pai de Eloá pode pegar até 60 anos de cadeia

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Everaldo Pereira dos Santos, pai da estudante Eloá, morta pelo namorado em outubro do ano passado, pode ser condenado hoje a até 60 anos de prisão, por um duplo homicídio ocorrido em Maceió, em 1991. Ele está sendo julgado à revelia, junto com outro réu, o também ex-cabo da PM Cícero Felizardo - o Cicão.

Agência Estado |

Os dois são acusados de participação nos assassinatos do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), e de seu motorista Antenor Carlota.

O julgamento começou por volta 9 horas e deve durar pelo menos até o final da tarde. Segundo o juiz Geraldo Amorim, que preside o julgamento, como Everaldo e Cição respondem por duplo homicídio qualificado, podem pegar de 24 a 60 anos de cadeia em regime fechado, cada um. O promotor de Justiça, José Antônio Malta, no começo do julgamento, pediu ao corpo de jurados a pena máxima para os dois réus. Apesar do crime ter ocorrido há 18 anos, o promotor disse que vai convencer o júri quanto à participação dos acusados no duplo homicídio.

"Os anos passaram, mas a sociedade alagoana lembra muito bem quem matava e aterrorizava as pessoas, naquela época", afirmou o promotor. Segundo ele, dos nove acusados pela morte de Ricardo Lessa e Antenor Carlota, apenas Everaldo e Cição ainda não pagaram pelo crime. "Os demais acusados ou morreram, executados como queima de arquivo, ou foram condenados, como aconteceu com o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, o chefe da famigerada gangue-fardada", afirmou o promotor.

Segundo José Antônio Malta, o delegado Ricardo Lessa morreu porque estava investigando outro crime, também atribuído à gangue-fardada, o assassinato de um paciente, que escapara de um atentado à bala, dentro da Unidade de Emergência, o principal pronto-socorro de Maceió. Consta nos autos, que o delegado Lessa teria mandado um recado ao ex-coronel Cavalcante por Everaldo: "Diga a seu chefe que assuma o crime do pronto-socorro, porque se ele sabe matar eu também sei". Dias depois, o delegado e seu motorista foram metralhados.

O advogado de defesa Givan Lisboa apresentou a tese da falta de provas nos autos, para tentar a absolvição de seus clientes. Segundo ele, Everaldo e Cição "são inocentes e estão sendo vítimas de uma grande perseguição". Lisboa destaca que há um laudo de DNA dos fios de cabelo encontrados no chapéu de um dos criminosos esquecido no local do crime. Segundo o advogado, o laudo aponta que não há como concluir que o fio de cabelo seja do ex-cabo Everaldo ou de Cição. "Por isso, não tenho dúvida de que meus clientes serão inocentados", disse o advogado.

O laudo da defesa foi feito em São Paulo, em um laboratório da Universidade de Campinas (Unicamp). Porém, o resultado diverge daquele que é apresentado pela promotoria e feito em Alagoas. O advogado de defesa negou ainda que o pai da Eloá e o cabo Cição estejam foragidos. "Eles estão ausentes, mas não foragidos. Eu estou aqui representando eles. Logo, eles se encontram neste julgamento", afirmou Lisboa. As duas cadeiras reservadas para os réus estavam vazias, durante o julgamento.

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