Pai de Eloá é preso em Maceió

A Polícia Civil de Alagoas prendeu nesta segunda-feira o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, o Amarelo, condenado a 33 anos de prisão por participação em assassinatos e foragido desde 1993. O ex-policial ficou conhecido nacionalmente em outubro do ano passado por ser o pai da estudante Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado Lindenberg Alves depois de quatro dias de sequestro.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Divulgação
Everaldo Santos é acusado de assassinatos
Everaldo Santos é acusado de assassinatos
Segundo a Polícia Civil de Alagoas, o ex-cabo Everaldo foi capturado na chácara de um cunhado no conjunto residencial Eustáquio Gomes, periferia da cidade, por volta das 12h, por uma equipe do Tigre, o grupo de elite da polícia alagoana. Ele tentou fugir pulando um muro mas foi cercado e obrigado a se entregar.

Everaldo foi condenado a 33 anos de prisão pelo assassinato do delegado Ricardo Lessa, e seu motorista particular, em 1991. Ele é suspeito ainda de outras duas mortes, entre elas a da ex-mulher, cujo corpo foi cortado ao meio. Os crimes são atribuídos à Gangue Fardada, espécie de esquadrão da morte que espalhou terror em Alagoas nas décadas de 80 e 90.

Quando foi morto, o delegado Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, investigava um assassinato cujo principal suspeito era o tenente-coronel Manoel Cavalcante, apontado como líder da Gangue Fardada.

Depois de ser interrogado por mais de duas horas pelo delegado-geral adjunto, José Edson, Everaldo negou os crimes e disse que tem medo de ser morto na cadeia. Nunca matei ninguém. Tenho medo de morrer, afirmou, segundo a Polícia Civil alagoana.

O ex-cabo atribuiu o assassinato de Ricardo Lessa a superiores, entre eles o coronel  Cavalcante, e disse que fugiu em 1991 por medo de ser assassinado pelos ex-colegas de corporação. Foram eles que arquitetaram o crime. Queriam me matar no enterro. Foi por isso que fugi, disse Everaldo, durante entrevista coletiva na Delegacia geral de Maceió, na tarde desta segunda-feira.

Depois de passar pela Bolívia e pelo menos outros dois estados brasileiros, Everaldo se fixou em Santo André, na Grande São Paulo. Ele foi reconhecido pelas autoridades alagoanas quando recebia socorro médico depois da morte da filha, Eloá, de 15 anos, mantida sob a mira de uma arma pelo ex-namorado, Lindenberg, durante quatro dias num seqüestro que catalizou as atenções de todo o pais por ter sido o primeiro transmitido ao vivo pela TV. Desde então o delegado Edson acompanha os passos do ex-cabo.

Sob o episódio que resultou na morte da filha, Everaldo disse: Aquilo acabou comigo. Tive problemas de saúde, perdi o rumo.

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