erros da investigação à população - Brasil - iG" /

Pai de Alexandre vai fazer levantamento para mostrar erros da investigação à população

SÃO PAULO - Antonio Nardoni, pai de Alexandre e avô de Isabella, disse na noite desta quinta-feira, após o fim dos depoimentos das testemunhas de defesa, que vai fazer um levantamento para demonstar à população todas as irregularidades do processo que investiga a morte da neta. Na investigação, polícia e Ministério Público culpam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte da menina.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


Antonio, que é advogado, disse, no entanto, não poderá incluir o levantamento no processo pois não participa da defesa do filho e da nora. Na chegada ao Fórum de Santana, na zona norte da Capital, ele já havia anunciado que estava preparando um "dossiê" paralelo sobre as investigações.

"O casal não é o monstro que a população acha. Quero mostrar para todo mundo coisas que não foram provadas, como o sangue no apartamento", afirmou o pai de Alexandre.

Antonio, que também testemunhou na defesa do casal, afirmou que Alexandre e Anna Jatobá não teriam motivos para cometer o crime.

Ele também criticou os trabalhos da imprensa. "Muitas informações são passadas para a mídia, ela divulga, as informações não são comprovadas, mas permanecem lá."

Em seu depoimento, Antonio afirmou ter presenciado uma briga entre Ana Carolina Oliveira, a mãe dela e Alexandre Nardoni por causa de desentendimento sobre a matrícula de Isabella na escola. Ele afirmou que, inclusive, impediu o filho de bater em Ana Carolina, pois Alexandre teria sido provocado pela ex-mulher.

O pai de Alexandre disse também que estava em casa quando recebeu a notícia, em um telefonema de Anna Jatobá, da queda de Isabella e, no caminho até o prédio, ele ligou para a filha Cristiane.

Segundo ele, Alexandre esteve com Isabella "sempre que pode" e que Ana Carolina Oliveira, diversas vezes, dificultava a saída da menina com o pai.

Antonio disse que Alexandre se programava para passar os finais de semana com Isabella. Segundo ele, o filho e a nora tinham "discussões normais" e que nunca houve nenhuma "briga relevante" entre os dois.

De acordo com Antonio, o filho sempre trabalhou muito. Aos 17 anos ele já seria sócio de uma fábrica no Brás, teve uma loja na Rua Oriente e duas lojas de roupa de surfistas, que foram fechadas.

Quando começou a faculdade, Alexandre teria então se dedicado aos estágios em escritórios de advocacia e a prestar serviços junto com ele, disse Antonio.

Advogados

Após os depoimentos, o advogado Marco Polo Levorin concedeu entrevista à imprensa em que voltou a comentar as supostas falhas do processo de investigação.

Levorin afirmou que as investigações "estão cheias de erros e equívocos".

"Não houve esganadura. Não existem provas científicas que mostrem isto. Sem esganadura as acusações contra Anna Jatobá ficam ruídas", disse o advogado.

Ele ainda ressaltou que os depoimentos desta quinta-feira só reforçaram alguns pontos que já haviam sido colocados pelos advogados, como a falta de segurança no edifício London e o carinho que o casal tinha por Isabella.

"Várias pessoas desmentiram o ciúme que todo mundo havia afirmado que existia entre Anna Jatobá e a garota", afirmou.

Tia de Isabella

Em seu depoimento, Cristiane Nardoni, tia de Isabella, disse que Anna Carolina Jatobá tratava a menina como filha. Ela também disse que nunca presenciou brigas de Anna Jatobá e Alexandre e nem cenas de ciúmes da madrasta.

Ela disse ainda que dormiu no apartamento do casal apenas uma vez para assistir filmes, antes do crime. A declaração contrasta com o depoimento de Anna Jatobá, que disse à Justiça que a cunhada havia dormido ao menos três vezes no apartamento.

Madrinha de Isabella, Cristiane disse que tinha um grande carinho pela menina e que nunca presenciou uma disputa da madrasta com a menina pelo "colo" de Alexandre, conforme alegam testemunhas de acusação do caso.

Segundo ela, uma semana após a perícia no carro de Alexandre, o pai e a mãe dela encontraram no porta-malas do veículo uma sacola de roupas infantis ainda com etiquetas, que supostamente seriam presentes para Isabella.

Cristiane confirmou que recebeu a ligação sobre a queda de Isabella quando estava em um bar na festa de aniversário de seu noivo, Lúcio Flávio Teixeira de Souza, após a meia noite de sábado. A ligação era de seu pai, Antonio Nardoni. Como ela não conseguiu ouvir, ela disse que foi ao banheiro e ligou para a cunhada. Anna Jatobá teria pedido, então, que ela fosse imediatamente ao edifício London. De acordo com Cristiane, ao chegar no edifício ela encontrou Alexandre na porta do carro de resgate chorando muito.

Em seu depoimento, que durou cerca de 1 hora, Cristiane ainda falou sobre a relação da família com a ex-cunhada, Ana Carolina Oliveira. Ela disse que houveram alguns atritos, mas nada considerado por ela grave. Antes do depoimento de Cristiane, o noivo dela, Lúcio Flávio.

Marcas de agressão

Fernanda Assunção Aleixo Nascimento, professora de Isabella Nardoni, afirmou que nunca viu a menina com sinais de agressão no corpo. Segundo ela, Isabella era uma criança muito tranqüila e feliz. Segundo ela, a menina nunca deu problemas na escola e teve uma fácil adaptação.

A professora disse ainda que Isabella sempre retratou a família, mas nunca a madrasta Anna Carolina Jatobá, em seus desenhos na escola. Ela confirmou também que o pai, Alexandre, foi poucas vezes à escola e que Isabella costumava voltar para casa no veículo escolar. Fernanda foi a sétima testemunha a ser ouvida nesta quinta-feira pelo juiz Maurício Fossen.

Sangue no apartamento

No primeiro depoimento desta quinta-feira ao juiz Maurício Fossen, no 2º Tribunal de Justiça de São Paulo, o policial Valter Santos da Silva, que foi um dos policiais que atenderam a ocorrência sobre a queda de Isabella Nardoni do sexto andar do Edifício London, afirmou ter participado da primeira varredura no prédio após a morte da menina e que não viu sinais de arrombamento na porta do apartamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O PM disse que viu, no entanto, marcas de sangue no corredor do aparamento do casal.

Ele também afirmou que todos os apartamentos do edifício foram vistoriados e que foi feita, inclusive, uma varredura na garagem e todos os porta-malas dos veículos lá estacionados, mas nada foi encontrado.

Luiz Carlos Mariano, outro policial que participou da ocorrência e também prestou depoimento nesta quinta-feira, disse que participou da varredura no edifício e também viu marcas de sangue no corredor do apartamento do casal.

Ele afirmou ainda à Justiça, que, ao chegar no edifício, encontrou Alexandre Nardoni ao lado de Isabella no gramado. Segundo o PM, Alexandre dizia que alguém havia entrado em seu apartamento.

Porteiro

Segunda testemunha a prestar depoimento nesta quinta, Damião da Silva Santos, porteiro noturno do prédio em que os pais de Anna Jatobá moram em Guarulhos, afirmou que conhece o casal e que eles estiveram no edifício no dia 29 de março e permaneceram entre às 18h e 23h. Porém, ele não soube dizer o horário exato em que eles saíram do local.

Prestador de serviços

O prestador de serviços, José Vandevaldo Melo Gomes, o Vando, foi a quarta testemunha a prestar depoimento. Ele afirmou que após o crime ficou 30 dias sem trabalhar no edifício London, onde prestava serviços em três apartamentos. Segundo ele, todos os serviços no local foram por indicação de Alexandre Nardoni.

No dia 29 de março, Vando disse que foi ao apartamento 51 pela manhã, onde realizava um serviço. Ele afirmou que chegou a ver o casal e as crianças no prédio.

O prestador de serviço disse que nunca ficou com as chaves dos locais onde trabalha e ressaltou que, no edifício London, não lhe pediam documentos para entrar no prédio porque ele já tinha cadastro e era conhecido dos moradores. Vando negou também que tenha tido qualquer problema com a família de Alexandre Nardoni.

Ele disse ainda que chegou a trocar as fechaduras das portas dos apartamentos 62 e 63, que pertencem respectivamente a Alexandre e Cristiane Nardoni, antes deles mudarem.

Vando disse ainda que depois do crime, a decoradora Márcia Regina, que trabalhava junto com ele, entrou em contato duas vezes pedindo para ele ligar para Antonio Nardoni e que ajudasse nas investigações do caso. Ele teria respondido que ajudaria, mas só se Antonio ligasse para ele.

Indagado se ele havia sido hostilizado na rua como suspeito pelo crime, Vando disse que ele pessoalmente não, mas que a mulher, a irmã e a filha sim.

Antonio Gomes Pereira e Paulo Rogério de Camargo, que trabalham na mesma prestadora de serviços também prestaram depoimento e confirmaram a versão dos fatos relatadas por Vando.

Oitava testemunha ouvida, João Aparecido Viel Jacomento, morador do edifício London, disse não conhecer o casal e nunca tinha visto as crianças ou ouvido brigas do casal.

Ele disse que estava em Santos, na casa da família, na noite do crime. Jacomento disse que apenas teve contato com Alexandre, rapidamente, no dia em que eles se foi ao seu apartamento ver uma obra.

Depoimentos de quarta

O promotor Francisco Cembranelli, que acompanha as investigações sobre a morte da menina Isabella Nardoni, afirmou que os depoimentos desta quarta-feira não interferem no processo. "Nada mudou para a acusação. Foram relatados apenas episódios antigos. Atira-se para todos os lados para acertar em alguma coisa".

O promotor disse ainda que os depoimentos foram voltados principalmente para a falta de segurança do edifício London e para os trabalhos do prestador de serviços, chamado Vando, conhecido da família Nardoni."Eles relatam a qualidade do serviço prestado e depois tentam incriminá-lo. Não dá para entender".

Cembranelli ironizou ainda a estratégia da defesa, que convocou cinco pessoas da mesma família para prestar depoimento nesta quarta. "Quem vem prestar depoimento acaba sendo desmoralizado".


Leia ainda:


Leia mais sobre: Caso Isabella Nardoni

    Leia tudo sobre: caso isabella nardoni

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG