Pai de acusado de matar jovem inglesa foi esquartejado, diz tia

GOIÂNIA - O pai de Mohammed D´Ali Santos, de 21 anos, acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara Marie Burke, foi assassinado e esquartejado quando ele tinha dois anos de idade. A afirmação foi feita pela tia de Mohammed, Jane Lúcia Souza Oliveira, durante seu depoimento no julgamento do réu, que acontece nesta quinta-feira em Goiás.

Redação |

A sessão de júri popular, que teve início por volta das 9h, acontece no 2° Tribunal do Júri de Goiânia e é aberta ao público - mais de 300 pessoas estão no local. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara preside o júri.

AP
Mohammed D' Ali é acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara

Jane foi a primeira testemunha de defesa ouvida nesta quinta-feira. Segundo ela, Mohammed tem problemas psicológicos e o principal motivo disso é a ausência do pai. Questionada pela defesa sobre o comportamento do sobrinho antes de usar drogas, ela respondeu: Ele nunca foi normal. Para Jane, as grandes jornadas de trabalho da mãe do réu fez com que ele não tivesse percepção de limites.

Com lágrimas caindo no rosto, Jane disse que Mohammed estava em estado lastimável e muito magro por causa das drogas. O Mohammed tirava a mangueira do fogão e cheirava o gás até desmaiar, afirmou a tia, segundo informações do Tribunal de Justiça. E acrescentou: Aos 10 anos, ele esfaqueou Bruce Lee [irmão do réu] por ter trocado o canal de televisão.

O irmão do acusado disse que sempre teve medo de Mohammed, pois ele tinha um comportamento compulsivo e não sabia como dominar suas emoções. Bruce Lee também mostrou as cicatrizes de ferimentos na perna e no estômago por causa das facadas dadas por seu irmão. Ele também disse que Mohammed usava drogas e vendia objetos de sua família para sustentar o vício. Bruce Lee  afirmou que contou sobre o irmão à mãe deles, mas ela não havia acreditado.

Reuters
A namorada do réu, Hellen de Matos Vitória, prestou depoimento

A namorada do réu, Hellen de Matos Vitória, de 19 anos, também prestou depoimento na manhã desta quinta. Ela disse que o acusado comenta que está arrependido de ter feito o crime e que o fez porque estava sob o efeito de drogas. 

Quando o juiz perguntou se ela acha que o réu tem algum problema mental, Hellen sorriu, acanhada, e disse que sim. E comentou: Às vezes ele está alegre com alguma coisa e de imediato fica estranho. Fico sem entender nada. Ela confirmou que Mohammed usava crack, cocaína e que cheirava gás.

Reuters
Mohammed, durante julgamento
Mais cedo, o porteiro do prédio em que Mohammed morava disse em depoimento que o réu sempre foi uma pessoa calma, falava pouco e apresentava um "comportamento estranho".

Ele afirmou também que Cara morou quatro ou cinco meses com Mohammed e depois se mudou para o Jardim Novo Mundo, localizado na região Leste de Goiânia.

Transtorno mental

O psicólogo Fred Lacerda, que foi contratado pela defesa de Mohammed como assessor técnico no laudo da saúde mental do acusado, confirmou que, de acordo com os diagnósticos, o réu é portador de "transtorno de personalidade antissocial".

Lacerda disse que submeteu Mohammed a uma entrevista de uma hora e com a ajuda de um médico traçou o histórico do réu. O psicólogo disse que o transtorno do rapaz pode melhorar, mas não tem cura, porque não pode ser considerado doença.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, Lacerda disse que "o problema de Mohammed é igual à psicopatia, mas clinicamente deve-se dizer transtorno de personalidade antissocial", afirmou.

Ao ser questionado pelos jurados se um portador dessas características poderia desenvolver um surto e atacar alguém, o psicólogo disse que sim. Ele ainda afirmou que uma pessoa que sofre desse transtorno tem consciência de seus atos, mas não consegue controlá-los.

Acusação

Santos é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e sem oferecer oportunidade de defesa à vítima.

O jovem teria matado Cara, de 17 anos, a facadas no dia 26 de julho de 2008 em um apartamento em Goiânia. Segundo o Ministério Público (MP) do Estado, ele esquartejou a menina e ocultou partes do corpo. O casal teria chegado a viver junto, sem relacionamento amoroso, até

Futura Press
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Cara Marie Burke, de 17 anos
que a menina se mudou para outro bairro por medo de Mohammed.

O acusado foi preso cinco dias após a morte e, segundo a polícia, confessou o envolvimento no assassinato. De acordo com o MP, no momento da prisão, ele teria oferecido R$ 70 mil para que os policiais não cumprissem o mandado de prisão e o deixassem fugir. Partes do corpo de Cara foram encontradas às margens do rio Meia Ponte e no ribeirão Sozinha.

Na primeira fase do julgamento, serão ouvidas dez testemunhas, cinco de acusação e cinco da defesa. Em seguida, haverá o interrogatório do réu e o debate oral entre Ministério Público e defesa, com direito à réplica e tréplica.

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