Pai biológico prevê visitas a S.G., mas condiciona à Justiça e psicólogos

O pai biológico de S.G., David Goldman, disse que, mesmo que leve tempo, não vai impedir visitas da família brasileira ao menino. Mas os contatos estão sujeitos a uma condição: a Justiça e os psicólogos devem achar as visitas prudentes. A promessa do americano foi dada em entrevista à rede de televisão NBC, concedida dentro do avião em que ambos viajaram para os Estados Unidos.

iG São Paulo |

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Avião particular que levou pai e filho aos EUA
Avião particular que levou pai e filho a Orlando, na Flórida

Em avião fretado pela NBC, David e S.G. chegaram na noite desta quinta-feira a Orlando, na Flórida. Ambos embarcaram por volta das 11h50 no aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Ele foi entregue ao pai pela família brasileira após determinação da Justiça.

As visitas são uma das principais inquietações da família materna de S. Logo depois do embarque de S.G. e David, o advogado da família, Sérgio Tostes, afirmou que era uma "desumanidade" deixá-los viajar sem garantias de que a avó, Silvana Bianchi, poderá visitar o neto nos Estados Unidos. Essa será uma batalha judicial travada na Justiça americana.

Durante a entrevista à NBC, David se mostrou entusiasmado com a ida do garoto. A família americana de S.G. espera que ele conviva com os primos da mesma idade e acreditam que a adaptação não será tão difícil quanto as pessoas imaginam. David disse ainda querer levar o filho a uma pizzaria americana.

As imagens da NBC dentro do avião mostraram o menino dormindo e o pai dando um beijo nele. "Meu pequeno garoto está dormindo normalmente", disse David. "Estamos a caminho (de casa). Meu coração está se derretendo. Eu o amo".

No Brasil, a avó Silvana Bianchi disse nesta sexta-feira que não teve contato com S.G. desde o embarque no Galeão. E lembrou que não pôde falar com David sobre as visitas ao garoto no futuro. "Eu mal tive acesso ao David", afirmou.

Embarque

O padrastro e a avó do garoto não foram para o aeroporto. O advogado da família, Sérgio Tostes, disse que a avó foi impedida de acompanhar o menino na viagem. "O governo americano negou a ida dela e o governo brasileiro aceitou", criticou.

A porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos, Orna Blum, negou que a avó de S.G. não tenha conseguido autorização para ver o neto. Ela pode viajar, basta ter o visto e ela tem, afirmou.

AE

David Goldman acena ao embarcar com o filho em avião fretado no Galeão

Últimos momentos no Rio

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S. chega ao consulado com o padrasto

S.G, de 9 anos, chegou bastante assustado ao consulado americano no Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira. Ele estava acompanhado do padrasto, o advogado João Paulo Lins e Silva, a avó materna, Silvana Bianchi, e o advogado da família, Sérgio Tostes.

Houve enorme tumulto porque o carro da família parou em uma avenida próxima e todos vieram a pé por 200 metros até o prédio do consulado, cercados de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, que trocavam empurrões. O menino e Silvana estavam vestidos com camisas da seleção brasileira.

Orna Blum lamentou o fato do garoto ter chegado ao consulado pela rua e sido exposto a jornalistas e fotógrafos. Foi uma pena. Eu e o governo americano estamos cientes de que toda família teve a informação que eles tinham acesso pela garagem privada, afirmou.

O advogado da família de S.G., Sérgio Tostes, afirmou que essa opção não foi oferecida. Ninguém falou isso. Até que provem o contrário estão mentindo, disse.

O pai do garoto, David Goldman, que estava hospedado em um hotel em Copacabana, na zona sul do Rio, chegou ao consulado pouco antes das 8h em um carro oficial, com escolta policial.

Decisão

Na última terça-feira, o ministro Gilmar Mendes restabeleceu a decisão do TRF, que determinou que o garoto fosse levado aos Estados Unidos, cassando a liminar do colega Marco Aurélio Mello, que ordenava a permanência do menino no Brasil.

O TRF havia determinado que o garoto voltasse com o pai para os EUA em 48 horas, contadas a partir da última terça-feira (16/12). Após o parecer de Mendes, o TRF levou em consideração o período entre o anúncio de sua decisão e a divulgação da liminar de Marco Aurélio Mello, marcando o prazo final para a manhã desta quinta-feira.

O caso

S.G. veio para o Brasil em 2004 com a mãe, a estilista Bruna Bianchi. No Brasil, Bruna separou-se de David Goldman, não retornou aos EUA e, posteriormente, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, Bruna morreu durante o parto da segunda filha.

De lá para cá, Goldman e Lins e Silva disputam a guarda do menino. Na quarta-feira, a família materna de S.G. anunciou que não iria recorrer à decisão do STF. "A guerra acabou", disse o advogado Sérgio Tostes.

*Com iG Rio de Janeiro, iG Brasília e AP

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