Padres suspeitos de abuso sexual são indiciados

A Polícia Civil de Alagoas indiciou três padres, um deles ainda preso, suspeitos de exploração sexual de adolescentes em Arapiraca

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

A Polícia Civil de Alagoas indiciou três padres suspeitos de exploração sexual de adolescentes no município de Arapiraca. Um dos religiosos, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 83 anos, cumpre prisão preventiva em regime domiciliar há dez dias, depois de prestar depoimento na CPI da Pedofilia. Um dos padres também foi indiciado, na terça-feira, por ameaça e importunação ofensiva ao pudor.

Matheus Pichonelli
Vista da paróquia São José na rua da casa onde foi gravado vídeo entre coroinha e monsenhor

De acordo com a delegada Bárbara Arrais, uma das responsáveis pelo inquérito policial, o relatório da investigação será analisado pelo Ministério Público Estadual, que deve decidir pela realização de novas diligências ou oferecer denúncia contra os indiciados. Segundo a delegada, a pena para o crime de exploração sexual pode variar de quatro a dez anos de prisão.

Os três religiosos foram afastados de suas funções pelo bispo dom Valério Breda, da Diocese de Penedo, em Alagoas.

Em entrevista ao iG, a delegada disse ter levado em conta as provas testemunhais de que três jovens de Arapiraca, ex-coroinhas e hoje com mais de 20 anos, tinham envolvimento os religiosos desde a adolescência, conforme argumentam.

Matheus Pichonelli
Fieis participam de missa às 6h30 na paróquia onde rezava o monsenhor Luiz Marques, em Arapiraca
O caso veio à tona após a divulgação de um vídeo, gravado com uma câmera digital, em que um jovem pratica sexo com o monsenhor Luiz Marques Barbosa. Outros dois jovens – um deles autor da gravação – afirmam que também eram obrigados a fazer sexo com os religiosos.

“As palavras das vítimas foram fundamentais”, disse a delegada.

As suspeitas levaram a CPI da Pedofilia no Senado a ouvir os envolvidos durante audiência realizada neste mês em Arapiraca. Na ocasião, Marques foi preso e o padre Edílson Duarte confessou os abusos. Ele fez acordo com a Justiça de delação premiada. Outro monsenhor da cidade, Raimundo Gomes , é suspeito de abusos, mas nega a acusação.

Ainda de acordo com a delegada, o vídeo produzido traz indícios de que a situação existia há muito tempo. “Havia um envolvimento anterior”, disse.

Os religiosos negam a prática de pedofilia e dizem que foram alvo de chantagem e extorsão por parte dos jovens, o que levou a Polícia Civil no Estado a instaurar outro inquérito para apurar também essas acusações.

* Com informações da Agência Estado.

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