RECIFE - O padrasto da menina de nove anos, que sofreu abuso sexual em Pernambuco, tentou se matar na prisão em que está desde que se tornou o principal suspeito de ter violentado a menina. O fato aconteceu no dia 5 de março, mas só foi divulgado nesta semana pela Secretaria Executiva de Ressocialização do Estado.

De acordo com a assessoria do órgão, o homem está preso na cidade de Pesqueira, no interior do Estado, e tentou cortar seus pulsos com um fio de nylon. Ele teria sido socorrido pelo companheiro de cela, que acionou a segurança, e impediu que os cortes fossem mais profundos.

O coronel Isaac Vanderley, que é superintendente estadual de Segurança Penitenciária do Estado, explicou que ele está deprimido e recebendo atendimento psicológico.

O padrasto foi preso quando se preparava para fugir para a Bahia, após a menina de nove anos ter informado à polícia que sofria abusos desde os seis anos e que ele a ameaçava de morte caso contasse sobre os abusos a alguém. Em seu depoimento, ele confessou que também abusava a enteada mais velha, de 14 anos, portadora de deficiência física, de acordo com a polícia.

Excomunhão

A menina abusada foi submetida a um abordo em uma maternidade e, após o procedimento, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos envolvidos no aborto gerando uma polêmica em torno do assunto.

A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor, disse o bispo.

De acordo com os médicos, a menina, que tem 1,33m e pesa 36kg, não apresentava estrutura física que sustentasse uma gravidez. Segundo eles, a paciente corria risco de morte caso a gestação continuasse. Além disso, a legislação brasileira permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão.

A excomunhão do arcebispo se torna irrelevante para todas nós que ajudamos no caso. É irrelevante a posição do arcebispo. Essa é uma questão que não perpassa pela religião. Os médicos agiram conforme a lei. O Estado brasileiro tem que ser respeitado. A ação do Estado não pode ser regida pela ação religiosa, analisou Carla Batista, da ONG SOS Corpo.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a decisão da Igreja Católica de excomungar os envolvidos no aborto foi radical e inadequada. Para Temporão, o ato de excomungar os envolvidos no aborto é um contra-senso diante do que aconteceu à criança.

Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante.

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