Pacientes com dor do câncer têm alívio com cuidado paliativo

Pacientes com dor do câncer têm alívio com cuidado paliativo Por Por Irimar de Paula Posso* São Paulo, 14 (AE) - Um dos maiores desafios para os médicos que tratam de pacientes com doenças graves é ajudá-los a vencer a dor crônica. Estima-se que sete em cada dez pacientes terão algum tipo de dor crônica ao longo da vida e, no Brasil, cerca de 50 milhões de pacientes sentem esse tipo de dor, que ocorre em doenças como câncer, artrite e artrose, esforço repetitivo durante o trabalho, lombalgias, para citar apenas algumas.

Agência Estado |

A dor crônica pode ser considerada uma doença em si, quando a atuação na sua causa não é mais possível. Por isso, os médicos tratam a dor e buscam paliativos que possam amenizar os efeitos colaterais dos analgésicos aplicados.

Felizmente as chances de um tratamento efetivo das dores crônicas, como a do câncer, com morfina, o opióide mais utilizado na medicina, estão cada vez maiores. No entanto, ao vencer a dor, a morfina causa alguns efeitos colaterais como: sonolência, diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, dificuldade respiratória, retenção urinária e, um dos mais freqüentes e graves, por seus efeitos adversos, constipação intestinal.

Os opióides interferem no sistema de movimentação do intestino, diminuindo o trânsito intestinal. Com isso, o bolo fecal não chega à região anal, não provocando, conseqüentemente, a sensação de evacuar. As fezes ficam por muito tempo no intestino e sofrem ressecamento, impossibilitando sua eliminação. Com isso, é necessária a realização de lavagem intestinal.

Este é um dos principais dilemas no tratamento dos pacientes com dor provocada pelo câncer. A dor precisa ser tratada com morfina, mas, por sua vez, o medicamento faz com que sofram de constipação, gerando mais um fator para o sofrimento. Felizmente, as pesquisas em busca de novos medicamentos que possam trazer alívio a esses pacientes estão avançando. Já há comprovação de que um novo medicamento para pacientes sob cuidado paliativo pode melhorar em apenas quatro horas a constipação intestinal induzida por opióide, de acordo com um estudo publicado na revista médica "New England of Journal of Medicine".

Um estudo clínico com o novo medicamento em pacientes sob cuidados paliativos demonstrou que 48% dos pacientes com constipação induzida por opióides (por exemplo: morfina) apresentaram movimentos intestinais (laxação) em um prazo de quatro horas após terem recebido apenas uma dose da nova medicação, mais que o triplo do índice observado em pacientes tratados com placebo. Em metade desses pacientes, a resposta ocorreu apenas 30 minutos após a administração do produto.

Conjugando esse tipo de cuidado paliativo com os métodos tradicionais para a redução da dor, a medicina consegue cumprir sua grande missão, que é a de aliviar o sofrimento do paciente.

(*) Irimar de Paula Posso é Professor Associado de Anestesiologia da Faculdade de Medicina da USP e Professor Titular de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Taubaté
(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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