PAC é plano de expansão fiscal suficiente, diz Meirelles

Por Daniela Machado SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil já conta com um plano de expansão fiscal neste momento de crise global, que é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para quem a recomendação de políticas expansionistas feita pelo G20 serve mais a países fortemente dependentes das exportações aos Estados Unidos.

Reuters |

"Esses países precisam adotar medidas para aumentar o mercado interno. Isso o Brasil já fez, o Brasil já tem um mercado interno forte", afirmou nesta segunda-feira após reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) em São Paulo.

"Cada país tem que adotar uma política fiscal de acordo com sua necessidade... E o Brasil já tem um plano de expansão fiscal que se chama PAC."

Meirelles evitou comentar a posição defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de uso de políticas anticíclicas para combater os efeitos da crise financeira sobre a economia real. Questionado por jornalistas, ele apenas repetiu que a posição do Brasil é a que já está no comunicado divulgado pelo G20 neste final de semana e lembrou que o objetivo é promover crescimento sem inflação.

"O comunicado do G20 foi cuidadosamente discutido e aprovado e expressa com clareza essa posição, isto é, todos os países devem adotar políticas fiscais que sejam adequadas à situação de cada país", disse.

"Por exemplo, países fortemente dependentes de exportações para os Estados Unidos --o que não é o caso do Brasil" devem buscar medidas para estimular a economia doméstica.

Dos Estados Unidos ao Japão, passando por diversos países da Europa, os bancos centrais fizeram rodadas de cortes de juros, num esforço para reanimar os abatidos mercados de crédito e tentar evitar uma forte retração do nível de atividade econômica.

No Brasil, onde o ritmo da demanda doméstica segue "muito bem", como salientado por Meirelles, o BC apenas interrompeu, em outubro, o ciclo de aperto do juro iniciado em abril.

Ao ser perguntado qual seria a política monetária mais adequada ao Brasil, Meirelles evitou o confronto e saiu com sua resposta padrão: "A política adequada no momento (para o Brasil) está explicitada na ata do Copom."

Segundo ele, o Brasil está tomando todas as decisões necessárias para preservar o país dos efeitos da crise e "está preparado para tomar medidas adicionais se for necessário".

DESACELERAÇÃO MUNDIAL

Após participar de reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das 19 nações mais importantes do mundo mais a União Européia durante o fim de semana, Meirelles esteve na reunião do BIS, o banco central dos bancos centrais, nesta segunda-feira.

Segundo ele, um dos consensos a que se chegou na reunião do BIS foi o de que a economia mundial vai desacelerar "substancialmente" em 2009, com provável contração dos países industrializados mas crescimento, ainda que mais modesto, dos emergentes.

Apesar de avaliar que o Brasil está enfrentando a crise global em posição "relativamente melhor" que outros emergentes, Meirelles lembrou que "ninguém está imune" aos atuais problemas.

Na avaliação dos representantes de bancos centrais, a situação dos mercados melhorou mas ainda está longe da normalidade.

Segundo Meirelles, também foram discutidas formas de melhorar a regulação e a supervisão do sistema financeiro mundial e uma das idéias é ter medidas comuns entre os países. "Por exemplo, os bancos de investimento no Brasil são regulados pelo Banco Central, 10

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