Uma embarcação é assaltada a cada 12 dias no Pará e Amazonas

Estados mapeiam áreas vulneráveis a ataques, mas mata fechada, falta de sinal de celular e ausência de fiscalização tornam crime muito difícil de combater

Wilson Lima, iG Maranhão |

Viajar pelos rios do Amazonas e Pará nos últimos meses é viver uma experiência de aventura e medo. Nos dois Estados, uma embarcação é vítima de ataque pirata a cada 12 dias. Quinze assaltos foram registrados pelas polícias amazonense e paraense nos seis primeiros meses deste ano. No Amazonas, a Polícia Militar deflagrou uma operação específica para combater esse tipo de crime. No Pará, tramita na Assembleia Legislativa a criação de uma brigada de combate aos crimes fluviais.

Reprodução/Google Maps
Letras no mapa mostram os lugares com mais ataques de piratas: "Onde existe rio com navegação, existe riqueza", diz delegado
A situação é mais crítica no Pará, mais especificamente na baía do Guajará, em Belém, e na Ilha do Marajó. Foram nove assaltos registrados com duas mortes em todo o Estado. A última ocorreu em julho, quando uma passageira de um navio foi atacada na Ilha de Marajó. Ela levou um tiro acidental dos bandidos e morreu antes de ser socorrida. Segundo informações da Polícia Civil paraense, seis pessoas foram presas esse ano acusadas de integrar quadrilhas especializadas em ataques a embarcações.

Em março, um grupo de turistas franceses foi assaltado nas proximidades de Santarém e o último registro de roubo a embarcações no Amazonas ocorreu em agosto, no rio Solimões. Oito pessoas foram agredidas a coronhadas de revólver pelos assaltantes. Cento e sessenta pessoas estavam no barco Félix, quando ocorreu o ataque.

Esse é um crime que nunca terá fim”, diz delegado sobre piratas no Pará

O proprietário do barco Fênix, Edwilson de Araújo, disse que foi obrigado a instalar um sistema de segurança eletrônica na embarcação com medo de novos assaltos - o sistema tem até câmeras em infravermelho. Um funcionário de Edwilson pediu licença médica após o assalto. “A sensação que nós temos é de medo”, declarou o empresário.

Os ataques

Os ataques dos piratas são rápidos e normalmente violentos. Em pequenas lanchas, os bandidos aproveitam a falta de fiscalização e abordam os barcos em locais isolados, rodeados por matas fechadas, em localidades onde normalmente não há sinal para aparelhos celulares. A falta de fiscalização nos portos também é apontada como fatos que facilita os crimes.

A possibilidade de se conseguir lucro mais fácil e com maior possibilidade de se escapar impune, segundo a polícia do Pará, é um fator que vem atraindo novos bandidos para esse tipo de crime.

“Aos poucos, estamos percebendo que moradores de regiões pobres, que eram envolvidas em assaltos em terra, agora estão migrando para os assaltos nos rios”, afirmou o delegado Ivanildo Santos, diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) do Pará.

No Estado, algumas quadrilhas se especializaram em assaltar os passageiros. Outras, a carga transportada pelas embarcações.

“Esse é um crime de característica econômico-geográfico. Onde existe rio com navegação, existe riqueza. E isso chama a atenção. Mas os casos estão dentro do esperado. Esse é um crime que nunca terá fim”, complementou Santos.

Na Assembleia Legislativa do Pará tramita uma lei que cria a brigada de combate aos crimes fluviais. A brigada teria homens da Polícia Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros. Emergencialmente, em 15 de julho, o governo do Pará anunciou reforços no policiamento fluvial do Estado. Hoje, são 14 viaturas responsáveis pela segurança dos barcos. A criação da brigada deve consumir investimentos da ordem de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões.

Amazonas

No Amazonas, dos cinco ataques piratas registrados no primeiro semestre desse ano, quatro ocorreram nas proximidades de Manaus. Neste período, a Polícia Militar do Estado registrou 68 furtos dentro das embarcações.

“Nós não paramos para qualquer um. Não podemos colocar guardas nos barcos. Até porque os próprios passageiros não se sentem a vontade com gente armada nos barcos. O jeito é navegar com o maior cuidado possível”, descreveu Cristiane Monteiro, gerente de uma empresa que realiza viagens no Amazonas.

Em 11 de agosto, a polícia militar do Amazonas desencadeou a operação “Encontro das Águas”, justamente com o objetivo de combater assaltos a embarcações que trafegam nos rios Negro e Solimões. Quarenta policiais estão envolvidos nessa operação e o trabalho é por tempo indeterminado. Duas pessoas já foram presas. Com eles foram encontradas cinco armas, entre os quais dois revólveres calibre 38.

    Leia tudo sobre: manausamazonaspiratasrouboparápirata

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG