Tacacá e Belém são estrelas do início da campanha do plebiscito no Pará

Frente contra a divisão de Tapajós utiliza humor e paródias; já pró-Tapajós chamam atenção para problemas da saúde na capital

Wilson Lima, iG Maranhão |

A primeira propaganda eleitoral gratuita do plebiscito sobre a criação (ou não) dos Estados de Tapajós e Carajás foi marcada pelo bom humor regionalista do lado separatista e pela tentativa de “vencer o medo”, com tom mais bucólico do lado separatista. A campanha em rádio e TV começou na manhã desta sexta-feira com as inserções dos comitês pró e contra o Estado de Tapajós.

Leia também: Exército vai reforçar segurança durante plebiscito no Pará

Os unionistas fizeram uma propaganda com vários elementos regionais e bom humor - até um locutor com voz que lembra o personagem Bob Esponja foi usado pelos unionistas. Eles adotaram desde a linguagem das ruas de Belém, com gírias e expressões próprias dos paraenses a até jingles em ritmo de tecnobrega. Na propaganda, os unionistas utilizaram como itens de campanha também o hino paraense e até uma paródia do hit do verão passado “Minha Mulher não Deixa Não”, do DJ Reginho.

Entre esses elementos regionais, o Tacacá, iguaria amazônica feita com sal, cebola, alho, coentro do norte, coentro, cebolinha, goma de tapioca, camarão seco e jambu foi usado como um dos principais exemplos dos problemas da divisão do Estado. “Querem tirar 83% das terras do Pará. É igual a tirar do Tacacá, os camarões, o jambu, o tucupi e até a goma. Só ia sobrar a cuia. Agora diz, dá pra gostar disso?”, afirmou o narrador.

“Vamos ficar assim pixixito (minúsculo), ah não”, brinca o outro narrador. A questão territorial, aliás, foi o primeiro argumento lançado pelos unionistas contra a divisão do Estado. Com a separação, o “novo Pará” terá apenas 17% do território. Os demais serão destinados a Tapajós e Carajás.

Do lado separatista, a propaganda começou com um tom bucólico, quase como de despedida mas com o intuito de “vencer o medo”, estratégia de marketing usada por Duda Mendonça na campanha de Lula de 2002. Mendonça comanda a campanha separatista do Estado.

Nas primeiras inserções, ao invés de fazer a campanha do “sim”, o comitê pró-Tapajós adotou a mensagem do “por quê?”, apontando alguns argumentos a favor da criação do Estado. Esses argumentos, neste primeiro momento, foram voltados justamente à capital do Estado, Belém, conforme o iG havia antecipado nesta quinta-feira (10) .

Reprodução
Pela proposta, o Pará será o menor dos três Estados oriundos da divisão



Eles citaram como grande problema a saúde da capital paraense e defenderam que, com a divisão, cada Estado terá a responsabilidade sobre seus pacientes, não havendo a necessidade de transferir doentes do interior do Estado para a capital. “Mas quando os novos estados assumirem o comando da saúde em seus Estados e construírem novos hospitais, aí tudo vai mudar”, informou a propaganda separatista.

Os separatistas também adotaram como argumento o endividamento público do Pará. Citando uma dívida de R$ 110 milhões apenas do ano passado, os separatistas afirmaram que “com a divisão, grande parte dos funcionários públicos vai ser paga pelos novos Estados. Vai aliviar mais as despesas. Só assim o novo Pará vai ter condições de melhorar a saúde de Belém”. Neste sábado (12), acontecem as inserções pró e contra o Estado de Carajás.

    Leia tudo sobre: parátapajóscarajásplebiscito

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG