Separatistas pedem "não" a governador e o comparam a Pilatos

Frente pró Carajás e Tapajós afirmam que Simão Jatene é responsável pela pobreza do Estado

Wilson Lima, iG Maranhão |

nullAs frentes pela separação do Pará classificaram o governador Simão Jatene (PSDB) como “um dos grandes responsáveis pela pobreza do Pará” durante o programa eleitoral da noite desta quarta-feira (30). No final da inserção, a propaganda pró Carajás e Tapajós foi taxativa: “Diga não ao Jatene, diga sim para mudar”. O governador pediu direito de resposta ao programa das frentes separatistas.

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Na propaganda, os separatistas afirmaram que Jatene enfraqueceu o Pará em 1996 quando apoiou a criação da Lei Kandir, sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A lei isentou de pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (CIMS) os produtos e serviços destinados à exportação. O Pará é um dos maiores exportadores brasileiros de ferro, bauxita, manganês, calcário, ouro e estanho. No ano passado, as exportações paraenses chegaram a R$ 12,8 bilhões. Além disso, estudos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontam que o Pará teria perdido cerca de R$ 21,5 bilhões entre 1997 e 2010 como efeito da Lei Kandir.

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Simão Jatene (PSDB) beija a bandeira do Pará no dia da sua posse, em janeiro deste ano
A frente a favor de Carajás e Tapajós também declarou que Jatene é o principal interessado na manutenção do atual território do Pará. Em outro momento, a propaganda separatista insinua, a partir de declarações de eleitores, que o governador é incompetente e oportunista. Os separatistas acusaram também o governador de ter idealizado projeto de taxação para extração de minério apenas como forma de atenuar os efeitos da Lei Kandir no Estado.

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A campanha esquenta:

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“O Pará foi ‘boi de Piranha’, sacrificado para que os outros fizessem a festa. Naquele momento, Simão Jatene era o todo poderoso Secretário de Planejamento do Estado e sabia, melhor do que ninguém, que aquele imposto era vital para a sobrevivência do Pará. (Ele) Podia ter interferido, falado com Fernando Henrique, brigado e lutado pelo Pará. Mas lavou as mãos como Pilatos”, afirmou a propaganda separatista, em comparação ao governador romano que se eximiu de responsabilidade e deixou Jesus morrer na cruz.

Em texto publicado nos jornais O Liberal e Diário do Pará , há aproximadamente duas semanas, Jatene disse que estava preocupado com os rumos tomados pelas frentes pró e contra a divisão do Estado na campanha do Plebiscito.

“Os Estados até hoje criados o foram em condições bem diferentes das atuais, não colocando em confronto as pessoas, não onerando ainda mais as populações locais e, nesse sentido, nos ajudam muito pouco sobre a experiência do dia seguinte que terá que ser vivida por nós, em certo sentido cobaias de um processo novo e diferente”.

O governo do Estado não se pronunciou oficialmente sobre as críticas, mas o governador pediu direto de resposta nesta quinta-feira (1) ao programa do Sim para rebater as críticas. A expectativa dos marqueteiros é que hoje esse direito de resposta seja divulgado no programa do Sim.

Reprodução
Pela proposta, o plebiscito será realizado daqui, no máximo, a seis meses

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