"Polícia só volta com responsáveis presos", diz governo do Pará

Luiz Fernandes Rocha, secretário de segurança do Estado, promete apuração rápida sobre execução do casal de extrativistas

Wilson Lima, iG Maranhão |

Divulgação
José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos nesta terça
Após o assassinato do casal de líderes extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva na manhã desta terça-feira em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará, o secretário de segurança do Pará, Luiz Fernandes Rocha, afirmou que “não irá mais tolerar esse tipo de violência”.

"Polícia só volta com responsáveis presos", diz governo do Pará sobre morte do casal

Nesta terça-feira, equipes do Núcleo de Apoio à Inteligência de Marabá, homens da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá e de Belém, a Polícia Civil e peritos do Instituto Renato Chaves se reuniram em Marabá, cidade distante cerca de 60 quilômetros de Nova Ipixuna. Eles vão investigar como o casal foi executado. Pelo menos 50 policiais estão envolvidos no caso.

“O Estado não vai tolerar mais esse tipo de violência em nosso território. Mobilizamos uma grande equipe para ir até o local e investigar o problema e só voltar com os responsáveis presos”, disse o secretário Luiz Fernandes Rocha.

Nesse momento da investigação, a Polícia Civil trabalha com três hipóteses. Uma frente trabalha com o crime de execução comandado por madeireiros da região, grupo que foi alvo de diversas denúncias de José Cláudio Ribeiro. Outra possibilidade é de que o casal tenha sido assassinado por carvoeiros que tentaram avançar entrar na área do  Projeto Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, presidido por Silva.Aa terceira hipótese seria a de uma vingança contra o líder extrativista em função de um homicídio ocorrido em 2004 em que ele foi apontado como suspeito na época - mas que nunca foi comprovado.

A tendência é que a partir da quarta-feira o próprio secretário de Segurança do Pará comande as investigações do assassinato do casal de extrativistas. A Polícia Federal também foi acionada para ajudar a elucidar o crime, a pedido da presidenta da República, Dilma Rousseff (PT). Até o momento, não se tem informações de suspeitos.

Informações preliminares dão conta de que o crime teria sido cometido por dois homens que estavam em uma motocicleta, circulando pelo Praia Alta Piranheira, instantes antes da execução do casal. A Polícia Civil soube do crime por volta das 7h30 desta terça-feira.

Faroeste

nullNa cidade onde aconteceu o crime, segundo a coordenadora do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes, Cristina Silva, existe um misto de medo e de revolta pela morte do casal. “A cidade parece um faroeste. As pessoas olham desconfiadas e não querem dar muitas informações”, revela.

Na tarde desta terça-feira, o Fórum da Amazônia Oriental (Faor), que reúne ONGs e movimentos sociais com atuação no Maranhão, Pará, Amapá e Tocantins, divulgou nota afirmando que José Cláudio “estava marcado para morrer”. “José Cláudio estava marcado para morrer desde que começou a denunciar o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região”, afirmou a entidade em nota. “Mais uma vez tombam aqueles e aquelas que insistem em defender a floresta”, complementa a instituição que pediu rapidez nas investigações.

O velório do casal acontecerá na cidade de Marabá, na residência de familiares, na manhã desta quarta-feira. ONGs preparam uma de ato de homenagem ao casal com faixas e cartazes. Ambientalistas já começaram a chegar em Marabá para prestar suas últimas homenagens aos extrativistas assassinados.

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