Polícia do Pará revela nomes de acusados por morte de extrativistas

Segundo as investigações, fazendeiro que adquiriu terras dentro de assentamento foi o mandante da execução

Wilson Lima, iG Maranhão |

O fazendeiro José Rodrigues Moreira é acusado pela Polícia Civil do Pará de ter encomendado a morte do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro e de sua esposa, Maria do Espírito Santo, em 24 de maio, na cidade de Nova Ipixuna, distante 390 quilômetros de Belém. A Polícia Civil do Pará pediu a prisão preventiva de Moreira e de mais duas pessoas que participaram do crime: Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento. Os três estão foragidos.

Divulgação/Polícia do Pará
Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, os dois acusados de matar os casal de extrativistas, ainda estão foragidos

A polícia afirma que o crime foi motivado por uma disputa de terras na região. José Rodrigues Moreiracomprou dois lotes na área do assentamento Praialta Piranheira. Um deles, nas proximidades de uma propriedade de Francisco da Silva, conhecido como Marabá, irmão de José Cláudio Ribeiro.

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José Cláudio defendia que Francisco permanecesse na terra e incentivou que Francisco lutasse pelo lote de terra. JJosé Rodrigues Moreira queria ampliar sua propriedade para fazer de pastagem para uma criação de gado e tentava forçar o irmão de José Cláudio a vender as terras, ainda segundo as investigações. Segundo a polícia, o fazendeiro via José Cláudio como o principal empecilho para a conseguir adquirir mais lotes no assentamento. 

Os extrativistas

José Cláudio da Silva era um dos principais defensores da preservação das floresta amazônica após a morte de Chico Mendes e constantemente fazia denúncias sobre o avanço ilegal na área de de preservação onde trabalhava por madeireiros para extração de espécies como castanheira, angelim e jatobá.

O casal vivia há 24 anos em Nova Ipixuna. Eles moravam em uma área de aproximadamente 20 hectares, com 80% de área verde preservada e viviam da extração de óleos de andiroba e castanha. Pouco antes de morrer, eles haviam firmado um convênio com a Universidade Federal do Pará para produção sustentável de óleos vegetais. Além do casal, outras 500 famílias moravam no PAEX Praialta Piranheira que tinha uma área total de 22 mil hectares.

A resistência de José Cláudio a expansão da área de pecuária está ligada à sua defesa de que o assentamento fosse sustentável, se baseando na extração de produtos da floresta. 

O dia do crime

No dia do crime, de acordo com a polícia, quem disparou os dois tiros foi Alberto Nascimento. Lindonjonson, irmão de José Rodrigues Moreira, dirigia a mota usada no dia do primeiro. O alvo da dupla José Cláudio, mas ele também atingiu Maria do Espírito Santo. Depois, disparou outro tiro no ombro do extrativista e cortou a orelha de ambos.

Ao cortar a orelha dos dois, pelas informações da polícia, os autores do crime tentaram desviar os focos das investigações. A ideia era que o crime tivesse características de ter sido encomendado a pistoleiros de Nova Ipixuna - e não que fosse uma disputa dentro do próprio assentamento. 

Durante as investigações, falou-se que os executores do casal chegaram a ganhar R$ 20 mil pelo assassinato. Pelo inquérito, Lindonjonson não recebeu pagamento pela morte do casal porque era irmão dele. A polícia não descarta a possibilidade de Alberto ter cobrado para executar o casal - ele é procurado por outros crimes cometidos na região e estava foragido da Justiça. A polícia pediu a prisão preventiva dos três à Justiça do Pará.

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