"Meu tio foi vítima do descaso", afirma sobrinha de casal extrativista

Clara Santos diz que nem o governo do Estado nem o governo federal tomaram medidas para proteger seu tio de ameaças de morte

Wilson Lima, iG Maranhão |

Divulgação
José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos nesta terça
A sobrinha do líder extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, Clara Santos, afirmou ao iG na tarde desta terça-feira que o seu tio foi uma “vítima do descaso”.

Ela disse que o governo federal e e o governo estadual foram omissos em relação aos vários pedidos de proteção feitos por Silva após ele ter recebido diversas ameaças de morte de madeireiros da região. José Cláudio Ribeiro Silva foi executado a tiros ao lado da esposa, Maria do Espírito Santo da Silva, na manhã desta terça-feira em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará.

Segundo Clara Santos, a família não teve notícias de que tanto o Estado quanto a União tenham enviado proteção ao seu tio. No ano passado, por exemplo, ele disse em evento que discutiu a preservação da floresta amazônica ( veja vídeo abaixo ) que vivia “com uma bala na cabeça”: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo”, pontuou na época.

“Meu tio foi vítima do descaso. Ele ficava muito exposto e nunca os governos se manifestaram para dar apoio a ele. É revoltante, principalmente porque ele lutava por algo que deveria ser uma bandeira de luta do governo federal e estadual e não apenas dele”, disse Clara Santos.

Leia também: Casal de extrativistas é assassinado no Pará

“Ele pediu ajuda e proteção do Estado mas não tenho informações se foi atendido. Agora, depois que ele morreu, todos querem prestar solidariedade e ajuda. É uma pena. O Brasil perdeu um grande homem e com muita coerência em mais de 24 anos de luta”, declarou.

Segundo a família, entidades de proteção da floresta amazônica de todo o País já prestaram solidariedade.

Enterro

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O corpo de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo está no Instituto Médico Legal (IML) e ainda não foi liberado. Os familiares realizarão o velório do casal na cidade de Marabá, maior cidade da região e distante 440 quilômetros de Belém. O enterro deve acontecer nesta quinta-feira em local ainda não definido.

O casal foi assassinado na manhã desta terça-feira quando estava no Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, distante 42 quilômetros da sede do município de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará.

Ele foi morto por dois homens em uma moto vermelha. A polícia ainda não conseguiu localizar os homens. A principal suspeita de Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na região é que o casal tenha sido executado por madeireiros. Segundo a família, os dois homens estavam circulando o assentamento desde manhã. “Não posso afirmar que foram madeireiros, mas temos indícios dos responsáveis por isso”, disse Clara Santos.

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