Marketing de Lula em 2002 enfrenta “oportunismo político” em debate

Frentes separatistas ratificaram que a mensagem da “mudança sobre o medo”; unionistas criticaram aproveitamento de novas estruturas de Estado

Wilson Lima, iG Maranhão |

O primeiro debate na televisão das frentes contra e a favor da divisão do Pará na campanha do plebiscito foi um confronto do “medo da mudança” contra o “oportunismo político” da criação dos estados de Carajás e Tapajós. O debate foi promovido pela RBATV, afiliada da rede Bandeirantes no Pará e limitou-se a ser um resumo de tudo aquilo que se falou nos programas eleitorais iniciados há três semanas.

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Durante quase toda a discussão, os deputados Lira Maia (DEM) e João Salame (PPS) repetiram o lema da campanha criado pelo publicitário Duda Mendonça: de que a esperança pela criação dos novos Estados deveria superar o medo. Mesmo lema da campanha de Lula em 2002 que teve como marqueteiro Duda Mendonça, hoje trabalhando com os separatistas. Nos dois primeiros blocos do programa, os separatistas até citaram abertamente a primeira vitória petista à presidência da república.

Eles também acusaram os unionistas de não terem propostas que sustentassem a argumentação contra a divisão do Estado. Os separatistas também teceram críticas à administração Simão Jatene (PSDB) como forma de mostrar que a divisão seria a melhor saída.

“(Os unionistas) não respondem nada, é só terrorismo, terrorismo e terrorismo. Estão fazendo como na campanha do Lula”, disse o deputado João Salame (PPS) líder da frente de criação do Estado de Carajás, durante o debate. “O ‘Não’ não tem proposta. Só não, não e não! Os professores vão ficar em greve de novo? Como vão resolver os problemas dos policias militares e dos delegados que tem os piores salários do Brasil?”, disse adiante Salame em referência à crise na educação que deixou o Pará quase dois meses sem aulas após os professores reivindicarem o piso salarial da categoria.

Os unionistas utilizaram uma outra estratégia: desqualificar os argumentos do não. A principal argumentação contrária à divisão do Estado tomou como base a não previsão legal de aumento de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Os separatistas afirmam que o Pará ganhará R$ 3 bilhões a mais com a criação de Tapajós e Carajás; os unionistas, afirmam que os R$ 2,4 bilhões que hoje ajudam a sustentar o Estado, teriam que ser rateados.

Eles também acusaram os separatistas de utilizarem a campanha como trampolim político dos políticos da região e ratificaram que a criação de novas estruturas estatais seriam insustentáveis. “Não sei se eles estão falando da criação de estados ou da criação de uma fábrica de dinheiro. Dinheiro não brota em igarapé”, criticou o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB), líder da frente contra a criação de Carajás, em referência ao FPE.

“Vocês criaram um cálculo com base em um economista contratado por vocês. Vocês falam tanto que está na lei? Mas isso não está na lei”, complementou Celso Sabino, presidente da frente Contra a Criação do Estado de Tapajós.

A discussão sobre o destino do FPE criou a situação mais inusitada do debate: o líder da frente a favor de Carajás comparou as receitas da união com uma grande pizza. Os unionistas, no entanto, aproveitaram a metáfora para disparar contra os argumentos pró-divisão. “Temos uma cota no fundo de participação dos Estados. Essa população tem três cotas. Mas o Pará vai dividir a cota com três estados. Serão 29 fatias da pizza, cada um vai ter uma fatia da pizza”, explicou Salame.

Reprodução
Pela proposta, o plebiscito será realizado daqui, no máximo, a seis meses

“O deputado quer reduzir a vida das pessoas a pizza e agora fala em pastel de vento. Muita gente está pensando em ser governador, deputado estadual, deputado federal. Não estão pensando em hospitais, em resolver os problemas da população”, alfinetou Coutinho. 

As acusações e trocas de ironias também utilizaram referências históricas e até artísticas. Os separatistas defenderam a divisão do Estado como um ato de pioneirismo comparado à construção de Brasília, por Juscelino Kubitschek.

Eles também compararam a divisão do Estado à independência do Brasil. “No início, vamos funcionar em acampamentos”, declarou o deputado Lira Maia, presidente da frente a favor da criação de Carajás em referência à críticas contra o inchaço da máquina pública feita pelos unionistas.

“Será que o pessoal do final do Pará, tem a chance de ver a Fafá de Belém? Eles veem a Dira Paes, por causa da novela. Há tanto desemprego, policial com salário baixo. Temos mazelas mas é preciso que procuremos uma saída para esse estado”, ironizou Maia no final do debate.

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