Justiça determina saída de indígenas de Belo Monte, afirma empresa

Cerca de 600 índios invadiram o canteiro de obras na madrugada desta quinta-feira pedindo fim das obras

Wilson Lima, iG Maranhão |

Agência Brasil
Indígenas estão entre os que mais criticam a construção da usina. Na imagem, índio protesta em Brasília, em fevereiro deste ano
A Justiça do Pará determinou a desocupação imediata do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, invadido por aproximadamente 600 indígenas na madrugada desta quinta-feira, em Altamira, cidade distante cerca de mil quilômetros de Belém. Os índios querem o fim das obras de Belo Monte.

Segundo informações do Consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção de Belo Monte, a juíza Cristina Collyer Damásio, da 4ª Vara Cível de Altamira, expediu decisão interlocutória determinando a retirada dos indígenas do canteiro de obras. A decisão também proíbe atos de protesto que possam dificultar o andamento da obra. Os indígenas responsáveis pela invasão, até o momento, não foram notificados da decisão da Justiça do Pará.

Em nota oficial divulgada na tarde desta quinta-feira, o consórcio responsável pela construção de Belo classificou como estranha a manifestação dos indígenas. Principalmente pelo fato de que, muitos deles segundo a Norte Energia S.A., não são moradores da região de Altamira, onde está sendo construída a usina. A empresa ressaltou que “preza pelo constante diálogo com as comunidades localizadas na área de influência do empreendimento”;

Leia também: Ibama autoriza instalação da usina de Belo Monte

“O projeto, desde o seu início, é acompanhado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), sendo conduzido com a plena concordância da população local e dos povos indígenas da região, para os quais são garantidos direitos fundamentais, preservação integral de suas terras e qualidade de vida”, declara a empresa.

Segundo a Norte Energia S.A., “causa estranheza que o grupo de manifestantes, em sua maioria arrebanhados em outras regiões, liderado por pessoas movidas por interesses alheios aos nacionais, tenha ocupado uma área privada, resultando em desnecessária conturbação da ordem pública, constrangimento e intimidação aos trabalhadores”.

Leia mais sobre Belo Monte:

- Brasil se recusa a participar de reunião sobre Belo Monte na OEA

- Milhares de ativistas protestam contra Usina de Belo Monte

- Ministério Público pede paralisação imediata de Belo Monte

- Belo Monte: índios sairão de suas terras "por bem ou por Direito"

    Leia tudo sobre: parábelo monteusina hidrelétricamanifestantes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG