Família de casal de extrativistas deixa assentamento

Sobrinha revela que todos os 22 parentes deixaram o local com medo de morrer. "Estamos à mercê", diz ela

Wilson Lima, iG Maranhão |

Divulgação
José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva
Após a morte do casal de líderes extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva , em Nova Ipixuna, cidade a 390 quilômetros de Belém, todos os demais familiares que viviam no assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira deixaram a reserva. O casal foi executado dia 24 de maio.

Segundo a sobrinha do casal de extrativistas, Clara Santos, pelo menos 22 familiares moravam no assentamento Praialta-Piranheira. Com medo de possíveis retaliações, ela preferiu não falar para onde eles se mudaram. Todos deixaram o assentamento com medo de morrer. “Assim que terminou o enterro (do casal), todos se mudaram”, revelou.

Assim como José Cláudio e Maria do Espírito Santo, todos os demais familiares tiravam seu sustento da atividade extrativista. Hoje, fora do assentamento, eles ainda não acharam uma outra forma de sobreviver. O futuro de todos é incerto. “Estamos ‘a mercê’. Esperamos uma ajuda do Estado ou de quem quer que seja”, disse. “O que nos ajuda é que somos uma família unida. Depois do que aconteceu, ficamos ainda mais unidos”.

Desde a morte do casal, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) presta ajuda à toda família. A coordenadora do CNS em Belém, Cristina Silva, reconhece que isso não deve durar muito tempo. “O ideal é que todos eles voltem para o assentamento. Para isso, o governo federal precisa fazer a sua parte. Precisa dar mais segurança à essas populações. E isso precisa acontecer de forma urgente”, pontuou.

A morte de José Cláudio e Maria do Espírito Santo desencadeou uma operação de fiscalização no assentamento Praialta-Piranheira. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por exemplo, realizou uma mega-operação no local que resultou no fechamento de sete madeireiras e no pedido de cassação das licenças ambientais de 12 que funcionavam dentro do assentamento. A Força Nacional, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também estiveram no local para garantir a segurança dos trabalhadores assentados.

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