Em Marabá e Ananindeua, assassinatos fazem parte da rotina

Cidades do Pará estão entre as mais violentas do País. Com falta de Estado e de Justiça, pessoas resolvem conflitos diretamente

Wilson Lima, iG Maranhão |

Wilson Lima/iG
Em maio, manifestantes protestaram contra morte de casal extrativista em Marabá: cidade é uma das mais violentas do País
Durante a semana do plebiscito sobre a divisão do Pará , Abimael Barbosa da Rocha, de 33 anos, foi assassinado em Marabá. Rocha foi morto com cinco tiros em uma emboscada vista à luz do dia, por centenas de pessoas, na região da Nova Marabá, um dos principais bairros da cidade que pretendia se tornar a capital de Carajás , caso os paraenses aprovassem a criação de Carajás e Tapajós no plebiscito realizado domingo passado .

A campeã da violência: Cidade é ponto de desova de cadáveres

Destaque negativo: 5 municípios do Nordeste estão entre os 10 mais violentos do Brasil

Apesar do crime à luz do dia, premeditado, muitos moradores viram a situação como “normal”. Não houve sustos e não houve protestos. Houve apenas repercussão na imprensa local. Mas o crime não abalou a vida da região. “Aqui, assassinatos como esses são normais. Nem ligamos mais”, disse o taxista Wilson Martins, de 35 anos, natural do Maranhão, que mora em Marabá há 20 anos.

“Nem nos importamos mais com esses crimes porque quem morre normalmente são traficantes, agiotas ou gente do mal”, complementa a funcionária pública Cíntia Bezerra, de 30 anos. Segundo a Polícia Civil de Marabá, Rocha era agiota, tinha ligações com a mineração e era apontado como testemunha-chave do processo de cassação do prefeito de Marabá, Maurino Magalhães (PR). A Justiça Eleitoral acusa Magalhães de uso de recursos não-declarados na campanha de 2008. Ele nega.

Mortes com a de Abmael Rocha mostram como os marabaenses lidam com os constantes assassinatos na região. Marabá é a terceira cidade mais violenta do país mas, nos últimos anos, a quantidade de homicídios vem caindo. Hoje, a média é de dez execuções mensais. No ano passado, foram registrados 30 homicídios em um mês. Um número parecido com os de cidades como São Luís, com uma população três vezes maior do que Marabá.

Em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, o quadro é parecido. Crimes graves, como o esquartejamento de um homem, dentro de um motel, na BR-316, bairro da Guanabara, em julho deste ano, também são vistos por moradores como eventos  normais. O medo convive tranquilamente com a insegurança. Ananindeua também está na lista das 10 cidades mais violentas do país.

Tanto Marabá quanto Ananindeua são cidades que tiveram um grande crescimento econômico e populacional nos últimos meses. Porém, esse crescimento veio desacompanhado de mais policiais, mais hospitais, mais escolas. Em pouco tempo, essas cidades, de estrutura pequena ou média, tiveram de lidar com problemas de cidades grandes. Sem um Estado para mediar os conflitos, as pessoas resolvem seus problemas diretamente - e da forma mais violenta possível.

    Leia tudo sobre: marabáviolênciamapa da violência 2011pará

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG