Deputados do Pará apuram rede de prostituição dentro de cadeias

Agentes penitenciários afirmam que outras menores, como a garota de 14 anos descoberta recentemente, são abusadas nas prisões

Wilson Lima, iG Maranhão |

Informo, em caráter de urgência, que adolescentes estão frequentando a Colônia Agrícola nos finais de semana. Não permitiremos que esta casa torne-se uma casa de prostituição”, dizia documento de ex-diretor

A Assembleia Legislativa do Pará começa nesta quarta-feira a investigar indícios de que se formou no Estado uma rede de prostituição e entrada de drogas dentro das prisões do Estado. A investigação parte das denúncias da adolescente de 14 anos que foi estuprada durante quatro dias dentro da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, na cidade de Santa Izabel, distante 50 quilômetros de Belém.

Dados da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) apontam que 37 adolescentes tentaram entrar em presídios do Estado para terem visitas intimas com detentos. Elas sempre utilizavam documentos falsos ou se disfarçavam de homens. Todas foram aliciadas por adultos.

Na própria Colônia Agrícola Heleno Raposo, denúncias apontam que não somente a adolescente de 14 anos foi estuprada. Segundo informações prévias, outras duas jovens, uma de 13 anos e outra de 17 anos, também foram abusadas por detentos. Além disso, agentes penitenciários revelaram à Assembleia Legislativa paraense que pelo fato da unidade prisional ser de regime semiaberto, havia facilidade para a entrada de drogas, álcool e até armas no local. A situação se estende também a outras unidades prisionais, segundo informações de agentes penitenciários à Assembleia Legislativa.

AE
Adolescente de 14 anos diz que sofreu abusos de ao menos dez detentos na Colônia Agrícola Heleno Fragoso, em Santa Izabel, no Pará
O ex-diretor da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, Andrés de Albuquerque Núnez, por exemplo, chegou a encaminhar um documento no dia 1° de setembro ao ex- superintendente do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), major Francisco Mota Bernardes, afirmando que adolescentes estavam entrando na unidade prisional. “Informo, em caráter de urgência, que adolescentes estão frequentando a Colônia Agrícola nos finais de semana. Não permitiremos que esta casa torne-se uma casa de prostituição”, afirmou Núnez em documento apresentado por agentes penitenciários ao jornal O Liberal, de Belém.

“Para tanto, peço ajuda a fim de solucionarmos este problema o mais rápido possível. Aproveito ainda para lhe solicitar nova revista o mais depressa possível, pois temos a informar da presença de arma de fogo nos alojamentos. Fato este comunicado pelos agentes prisionais que tiram serviço na guarita Delta I, que vêm sendo ameaçados pelos detentos que empreendem fuga”, prossegue o documento.

As investigações sobre os indícios da formação de uma rede de prostituição e de tráfico de drogas que abasteciam os presídios paraense integrarão os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o tráfico de pessoas no Estado.

O governo do Estado anunciou nesta quarta-feira um reforço no policiamento em Heleno Fragoso. Nove policiais militares do Batalhão de Policiamento Penitenciário do Estado (BPOP) vão reforçar o efetivo de 35 homens que fazem a segurança do presídio. Eles terão agora uma viatura. Antes da denúncia da adolescente, algumas guaritas de Heleno Raposo estavam completamente abandonadas. O governo paraense também afirmou que construirá um muro no entorno da penitenciária para dificultar o acesso de pessoas de forma ilegal na Colônia Agrícola.

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