Cortejo de casal extrativista interdida BR e ferrovia Carajás

Manifestação começou às 4h em Marabá. Vias foram liberadas após passagem de cortejo

Wilson Lima, enviado a Marabá |

Divulgação
José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos na terça-feira

Aproximadamente mil trabalhadores integrantes de movimentos sociais interditaram a BR-222 e a Estrada de Ferro Carajás na manhã desta quinta-feira, em Marabá, cidade a 440 quilômetros de Belém, no Estado do Pará. O ato foi de protesto contra o assasssinato dos extrativistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio da Silva, mortos a tiros de espingarda na terça-feira (24), em Nova Ipixuna, a 390 km da capital paraense. As vias ficaram bloqueadas das 4h às 10h45. No momento, de acordo com a Polícia Militar, 3 mil manifestantes estão na entrada do Cemitério da Folha 29, onde será realizado o enterro do casal, em Marabá.

Durante a manifestação, os trabalhadores afirmaram que ferrovia e a rodovia seriam liberadas somente após a passagem do cortejo fúnebre. A interdição da ferrovia Carajás obrigou um trem da Companhia Vale do Rio Doce a retornar para sua estação em Marabá. Às 10h, um congestionamento de aproximadamente 15 quilômetros foi registrado na BR-222.

Integrantes do Movimento Sem Terra (MST) ameaçaram queimar o veículo de uma rádio local que estava à margem da rodovia interditada.

Velório

Na quarta-feira (25), revolta e preocupação marcaram o velório em homenagem ao casal no Cemitério da Saudade. Durante todo o dia, representantes do MST, Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) - ONG fundada por Chico Mendes -, Fórum da Amazônia Oriental (Faor), que reúne ONGs e movimentos sociais com atuação no Maranhão, Pará, Amapá e Tocantins, prestaram suas últimas homenagens aos extrativistas e protestaram contra a sua morte. Pelo menos 100 membros dessas entidades estão na cidade para o enterro do casal.

Reprodução Google Maps
Marabá fica a 440 quilômetros de Belém, capital do Pará
Ameaças

Em novembro do ano passado, durante evento que discutiu a preservação da floresta amazônica, José Cláudio da Silva classificou como “assassinato” a derrubada de árvores da região e disse que “vivia com a bala na cabeça” por causa das constantes denúncias contra madeireiros. “Vivo da floresta, protejo ela de todo jeito. Por isso, eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque eu vou pra cima, eu denuncio os madeireiros, eu denuncio os carvoeiros e por isso eles acham que eu não posso existir”, disse.

Ele ainda declarou. “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu estou aqui conversando com vocês, daqui um mês vocês podem saber a notícia que eu desapareci. Me perguntam: tenho medo? Tenho, sou ser humano, mas o meu medo não me cala. Enquanto eu tiver força pra andar eu estarei denunciando aquele que prejudica a floresta”, afirmou.

O casal vivia há 24 anos em Nova Ipixuna. Eles moravam em uma área de aproximadamente 20 hectares, com 80% de área verde preservada, e viviam da extração de óleos de andiroba e castanha.

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