Campanha sobre divisão do Pará em rádio e TV começa na sexta

Separatistas e unionistas vão travar batalha sobre identidade do Pará, benefícios financeiros e "a grande família" do Estado

Wilson Lima, iG Maranhão |

Os primeiros anúncios pró-Carajás e pró-Tapajós e os primeiros contra a criação dos dois Estados começam a ser exibidos nesta sexta-feira, 11 de novembro, nas redes de rádio e na televisão do Pará. Os primeiros protagonistas, porém, não vão ser os novos Estados: serão os Estados de Mato Grosso do Sul, Tocantins, Mato Grosso e Goiás. Juntas, as campanhas devem gastar cerca de R$ 20 milhões .

Arte/iG
Proposta prevê a criação de dois novos Estados

A ideia das quatro frentes (duas contra a divisão do Estado e duas a favor) é mostrar, nesse primeiro momento, o que deu certo e o que deu errado com o desmembramento de Mato Grosso do Sul do território de Mato Grosso e de Tocantins do território de Goiás.

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Do lado separatista, as primeiras propagandas vão mostrar como Mato Grosso do Sul e Tocantins ganharam com a emancipação, o quanto cada Estado ganhou em volume de investimentos do governo federal e como houve uma maior concentração dos recursos nas cidades que fazem parte dos Estados mais novos.

Os unionistas querem mostrar justamente o contrário: as consequências para os Estados de Mato Grosso e Goiás após a separação. Como eles perderam força economicamente e politicamente, com o intuito de mostrar que a divisão não é a melhor saída para os problemas estruturais de cada Estado. Eles também querem mostrar que, quanto mais Estados, maior a disputa por recursos federais, maior a possibilidade de existir uma guerra fiscal e maior será a competição para abrigar empreendimentos de grande porte.

Um outro debate que será a tona das primeiras propagandas é o volume de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caso o Pará permaneça unido, ou caso ocorra a emancipação de Carajás e Tapajós. Os separatistas falarão no início da propaganda que haverá aumento dos recursos do FPM. Os unionistas já preparam discursos contrários, contestando essa informação.

Além disso, as frentes também já estudam a possibilidade de incluir chamadas de mobilização dos eleitores. Isso porque existe uma preocupação com o alto índice de abstenção nas urnas.

Tom emocional

As primeiras propagandas também devem ter um tom emocional para conseguir atrair a atenção dos eleitores. Os que defendem a união do Estado vão focar muito nesse início de campanha que a separação pode acabar com a identidade cultural do paraense. Tanto que, na TV, a expectativa é que a propaganda sempre faça alusão às cores da bandeira do Estado, vermelha e branca.

O tom dos separatistas será bucólico, quase que de despedida. Adotando como jingle um tema sertanejo, os pró Tapajós e Carajás vão mostrar nos primeiros programas que o Pará é uma grande família. Mas, como uma grande família, chega um momento de cada um tomar o seu caminho para o melhor de todos, vão argumentar os separatistas. Duda Mendonça , que comandou a propaganda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, é o comandante da estratégia publicitária dos separatistas .

A propaganda gratuita plebiscitária também colocará em campos opostos políticos e personalidades . Os unionistas apostam no apoio de personalidades como o meia da seleção brasileira e do Santos, Paulo Henrique Ganso, e do lateral-direito da equipe paulista, Marcos Rogério Lopes, o Pará, além da cantora Fafá de Belém e da atriz Dira Paes.

Os separatistas querem utilizar uma declaração da ex-ministra Marina Silva que, na semana passada, defendeu a divisão do Estado, principalmente a criação de Tapajós. “Não conheço a realidade dos demais Estados [Carajás e Pará], mas no caso do Estado de Tapajós deve ser melhor debatido e considerado, pois é muito parecido com o Estado do Tocantins”, disse Marina Silva na semana passada.

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